Josh Edelson/AFP
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Casa Branca tenta conter críticas a discurso de Trump sobre atentado supremacista

Principal crítica é que presidente dos EUA se esquivou e culpou 'vários lados' pela violência em manifestação em Charlottesville, na Virgínia; 3 pessoas morreram e pelo menos 34 ficaram feridas

AP e AFP

13 Agosto 2017 | 10h41

Sob severas críticas de democratas e do próprio Partido Republicano pela hesitação do presidente americano, Donald Trump, em condenar supremacistas brancos e neonazistas pela violência em manifestações no sábado, 12, na Virgínia, a Casa Branca divulgou um comunicado neste domingo condenando nominalmente os grupos responsáveis pela violência. 

O comunicado foi divulgado 36 horas depois da primeira declaração de Trump na qual condenou "muitos lados que apelaram para a violência". Um jovem neonazista de 20 anos jogou seu carro contra uma multidão que protestava contra os supremacistas brancos em Charlottesville e uma pessoa morreu. Outras duas mortes ocorridas na cidade podem ter ligação com a violência de grupos radicais supremacistas. 

"O presidente condenou todas as formas de violência, ódio e intolerância e claro que isso inclui supremacistas brancos, a KKK, neonazistas e todos os grupos radicais", diz a nota.  

Líderes republicanos e democratas pediram que Trump condene de forma explícita grupos racistas, neonazistas e supremacistas brancos que se autointitulam "direita alternativa" e fizeram parte dos partidários do presidente durante a campanha eleitoral. 

Trump afirmou que a questão vem de longa data. "Nós condenamos, nos termos mais fortes possíveis, esta exibição flagrante de ódio, fanatismo e violência de muitos lados, de muitos lados", disse. "Tem acontecido há um longo tempo em nosso País. Não é Donald Trump. Não é Barack Obama. Está acontecendo por um longo, longo período."

"Eu coloco a culpa em um monte de coisas que está acontecendo na América hoje mesmo, na porta da Casa Branca e nas pessoas ao redor do presidente", afirmou o prefeito de Charlottesville, Michael Signer, um democrata.

"Senhor presidente, devemos chamar o mal pelo seu nome. Eram supremacistas brancos e isso se chama terrorismo doméstico", disse o senador por Colorado, Cory Gardner, republicano, no Twitter.

"É muito importante para a nação ouvir Potus (sigla, em inglês, de Presidente dos Estados Unidos) descrever eventos como o de Charlottesville pelo que são, um ataque terrorista por supremacistas brancos", disse o senador pela Flórida Marco Rubio, republicano, no Twitter. 

"Potus precisa se colocar contra o ressurgimento venenoso da supremacia branca. Não há "muitos lados" aqui, apenas o certo e o errado", disse o democrata Adam Schiff, no Twitter.

A primeira reação de Trump ao que ocorreu em Charlottesville veio no Twitter, às 13h19: “Nós TODOS devemos estar unidos & condenar tudo o que o ódio representa. Não há lugar para esse tipo de violência na América.” Ex-líder da Ku Klux Klan, David Duke respondeu ao presidente às 14h03. “Eu recomendaria que você olhasse bem no espelho e lembrasse que foram os brancos americanos que o colocaram na Presidência, não esquerdistas radicais.” 

O presidente do EUA também expressou mensagens de união e inclusão: “Não importa nossa cor, fé, religião ou partido político, nós somos todos americanos em primeiro lugar”. Mas relativizou o primeiro grande choque racial de sua gestão: “Isso está ocorrendo há muito tempo em nosso país. Não é Donald Trump, não é Barack Obama”. Durante o governo de seu antecessor, a maioria dos episódios de tensão foram provocados pela morte de adolescentes ou homens negros desarmados pela polícia. 

Violência. Califórnia e Los Angeles registraram neste sábado, 12, manifestações pacíficas contra nacionalistas, após os casos de violência que surgiram em Charlottesville, no Estado da Vírginia, durante um protesto defendendo a supremacia branca no País. Em Oakland, Califórnia, uma rodovia foi bloqueada por manifestantes.

Três pessoas morreram e 34 ficaram feridas durante a maior manifestação de defensores da supremacia branca da história recente do EUA. Uma das mortes ocorreu quando um motorista avançou com seu carro contra uma multidão que protestava contra a marcha e o racismo. Analistas e veículos de imprensa americanos classificaram o atropelamento como "ato de terrorismo doméstico".

Autoridades locais investigavam ainda duas mortes de policiais que estavam em um helicóptero que caiu perto de Charlottesville. Apesar de ligarem essas duas mortes aos protestos, as autoridades não deixaram claro como os dois fatos estavam conectados. A Polícia da Virgínia confirmou que o helicóptero pertencia à corporação e os mortos nesse acidente eram os policiais Jay Cullen e Burke M.M. Bates, que davam apoio aos agentes em solo. 

 

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