Rodrigo Abd/AP Photo
Rodrigo Abd/AP Photo

TSE de Honduras adia declaração do vencedor e oposição protesta

Observadores internacionais temem que o atraso comprometa a legitimidade do vencedor; nas ruas, pelo menos nove pessoas ficaram feridas em confronto com a polícia

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 04h51

TEGUCIGALPA - Apoiadores de Salvador Nasralla, candidato opositor à presidência de Honduras, foram às ruas nesta quinta-feira, 30, protestar contra a demora na divulgação do resultado das eleições do último domingo, o que aprofunda a crise política no país. A polícia lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes e pelo menos nove pessoas ficaram feridas na capital Tegucigalpa. Desses, seis foram baleados. Os serviços de emergência informaram que dois policiais e um soldado também se feriram.

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Os manifestantes danificaram um dos maiores centros comerciais de San Pedro Sula e Siguateque e causaram danos menores com um incêndio no edifício da prefeitura, segundo informações oficiais. David Matamoros, presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), denunciou que protestantes tentaram quebra o portão de acesso aos salões onde as atas de votação estão sendo revisadas, mas foram reprimidos por militares.

O TSE de Honduras adiou nesta sexta-feira, 1º, a divulgação do vencedor das eleições até que atas com inconsistências sejam processadas. Nasralla acusou fraude na votação e rejeitou os últimos resultados que mostravam o atual presidente Juan Orlando Hernández na frente.

No início da apuração dos votos, a oposição aparecia em primeiro lugar, com cinco pontos percentuais de vantagem, até que a contagem parou na segunda-feira, 27. Quando foi reiniciada na terça-feira, os resultados começaram a favorecer Hernández, que avançou ainda mais no dia seguinte antes que os votos parassem de ser contados de novo.

A preocupação internacional cresceu sobre a crise na pobre região produtora de café, de mais de 9 milhões de habitantes, que sofreu um golpe militar em 2009 e sofre com gangues de drogas e uma das taxas de assassinato mais altas do mundo. Os atrasos já levaram à violência, e os observadores temem que isso possa minar a legitimidade do vencedor final.

Um dos quatro magistrados do TSE sinalizou "sérias dúvidas" sobre o processo na quinta-feira, 30. Marcos Ramiro Lobo pediu que um auditor externo independente revise os resultados, mas não se comprometeu em saber se houve evidência de fraude eleitoral. "Não podemos ter certeza de uma coisa ou outra", disse Lobo à Reuters, expressando preocupação com a queda da contagem de votos. "O que eu sei é que sérias dúvidas estão sendo levantadas", afirmou.

Até o momento, com 94,31% das urnas apuradas, Hernández aparece na frente com 42,92% votos contra 41,42% de Nasralla. "Não daremos mais anúncios até que o processo (de revisão das atas) termine", disse Matamoros. Restam ainda 1.031 atas que serão processadas de forma especial, devido a possíveis violações. /Reuters e AFP

 

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