Kenzo Tribouillard/AFP
Kenzo Tribouillard/AFP

Turquia condena jornalistas à prisão por publicarem capa da Charlie Hebdo

Organização para a Segurança e Cooperação em Energia (OSCE) condenou a sentença e disse que este é um novo retrocesso para a liberdade de expressão no país

O Estado de S. Paulo

28 Abril 2016 | 12h38

ANCARA - A Justiça da Turquia sentenciou dois jornalistas de oposição ao governo a dois anos de prisão pela publicação da polêmica capa da revista satírica francesa Charlie Hebdo, que mostra uma caricatura do profeta Maomé.

Segundo a agência de notícias estatal Anadolu, um tribunal de Istambul condenou os colunistas do jornal Cumhuriyet, Ceyda Karan e Hikmet Cetinkaya, por fomentarem "ódio e inimizade". O tribunal os absolveu das acusações de "insulto aos valores religiosos". Ambos jornalistas devem apelar da decisão.

Cumhuriyet publicou uma seleção de caricaturas e artigos em uma demonstração de solidariedade ao Charlie Hebdo, logo após o atentado terrorista ao escritório da revista em 2015. Os dois jornalistas incluíram imagens da capa da Charlie Hebdo em suas colunas. 

A Organização para a Segurança e Cooperação em Energia (OSCE) condenou nesta quinta-feira, 28, a sentença de prisão contra os jornalistas.

"Estou preocupada com o fato de jornalistas poderem ser presos na Turquia por expressarem suas opiniões e se solidarizarem com os cartunistas da Charlie Hebdo", declarou a representante para a liberdade de imprensa da OSCE, Dunja Mijatovic.

A setença é um novo retrocesso para a liberdade de expressão na Turquia, frisou Dunja, segundo a qual publicar materiais "que possam ofender a uma parte da sociedade" não justifica a censura e muito menos a pena de cárcere.

"O descontentamento com um estilo editorial pode ser expressado de muitas formas, mas as sentenças de prisão não deveriam ser uma opção", insistiu.

A OSCE também pede que as autoridades turcas garantam a segurança dos jornalistas frente às ameaças e intimidações que tem recebido pela internet. /Associated Press e EFE

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