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Turquia denuncia 2ª violação do espaço aéreo do país em 3 dias

Secretário de Estado das Relações Exteriores turco voltou a pedir explicações sobre os eventos ao embaixador russo; para Otan, ação não parece um incidente

O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 09h43

ISTAMBUL - O governo da Turquia denunciou a segunda violação em três dias de seu espaço aéreo por parte de aviões militares russos, o que motivou uma nova queixa diplomática, confirmaram nesta terça-feira, 6, fontes do Ministério das Relações Exteriores turco.

No domingo, um avião russo entrou no espaço aéreo turco em um acontecimento similar ao ocorrido no sábado. Por isso o secretário de Estado das Relações Exteriores da Turquia voltou a notificar o embaixador russo para pedir explicações, destacaram as fontes.

"Protestamos de forma contundente e dissemos que este incidente não deveria se repetir, já que, caso contrário, a Rússia será responsável pelo que pode acontecer", indicaram as fontes da Chancelaria.

Um protesto muito similar foi feito ontem por meio de um comunicado do Ministério turco, que mencionava somente o incidente de sábado e uma primeira notificação ao embaixador.

Dois caças F-16 turcos interceptaram no sábado um avião de combate russo que havia entrado na Turquia e o forçaram a retornar para a Síria. No domingo, ocorreu algo similar, segundo as fontes citadas.

O Ministério das Relações Exteriores turco esclareceu que não se trata, aparentemente, do mesmo incidente que foi reportado ontem pela cúpula militar, no qual um caça Mig-29 de nacionalidade não determinada foi detectado por dois F-16 turcos que patrulhavam a fronteira síria. Neste incidente, também ocorrido no domingo, a instituição militar não constatou uma violação do espaço aéreo.

Segundo a emissora CNNTÜRK, a segunda violação do espaço aéreo e a notificação ao embaixador não foram divulgadas pelo governo, mas por um comunicado da Otan.

Na noite de ontem houve uma reunião de segurança em Ancara convocada pelo primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, com a participação de todos os comandantes das forças armadas, que durou três horas.

Durante o encontro, discutiu-se em detalhes a situação na Síria, incluídos os incidentes aéreos, e "foram avaliadas as medidas que serão tomadas em caso de novas violações da fronteira".

Violações. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, ressaltou nesta terça-feira que a incursão da Rússia no espaço aéreo da Turquia no fim de semana não parece um incidente e reiterou que Moscou deve respeitar as fronteiras de Ancara.

"Houve duas violações (do espaço aéreo) durante o fim de semana", disse Stoltenberg em entrevista coletiva, indicando que elas duraram "muito tempo" e que se trata de uma "atuação inaceitável".

Stoltenberg reiterou o pedido para que Moscou respeite as fronteiras e o espaço aéreo da Turquia, que também são territórios da Otan.

O secretário indicou ainda que a aliança não recebeu explicações sobre o ocorrido até o momento, sabendo do incidente "apenas pelos meios de comunicação". Ele afirmou que conversou sobre a possibilidade de recorrer às linhas de comunicação militar com a Rússia para abordar o assunto.

Para Stoltenberg, essa via pode ser uma maneira de expressar a preocupação da Otan, pedir explicações e enviar "uma forte mensagem" de que esse incidente "não deve voltar a ocorrer". Ele também denunciou a crescente presença de forças russas no território sírio e no Mediterrâneo.

Os aliados da Otan apoiaram a Turquia ontem diante da violação "inaceitável e irresponsável" do espaço aéreo do país pela Rússia, pedindo que Moscou interrompa imediatamente os ataques contra a oposição e civis na Síria para focar os bombardeios contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI). /EFE

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