ILYAS AKENGIN / AFP Photo
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Turquia vota em referendo histórico para mudar o sistema de governo

A reforma transformaria o atual parlamentarismo em presidencialismo e aboliria a figura do primeiro ministro

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 02h10

ISTAMBUL - Os primeiros colégios eleitorais abriram as portas neste domingo, 16, para um referendo histórico na Turquia. As pessoas vão às urnas para votar reformas constitucionais que concentrariam o poder nas mãos do presidente Recep Tayyip Erdogan. A consulta popular ocorre nove meses depois de uma tentativa de golpe de estado contra o presidente.

As 18 modificações constitucionais transformariam o sistema de governo de parlamentarista para presidencialista, o que aboliria a figura do primeiro ministro. O governo apresenta a reforma como indispensável para fazer com que o Estado tenha um executivo mais estável e romper com os frágeis governos de coalizão dos anos de 1980 e 1990, antes da chegada do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, em turco) ao poder, o partido conservador de Erdogan.

Recep Tayyip Erdogan, que impulsionou a reforma e fez campanha a favor do 'sim', disse que o sistema presidencial “ao estilo turco” proposto garantirá a estabilidade do país. Os opositores temem que a mudança leve a um governo autocrático, afirmando que Erdogan, que tem sido acusado de reprimir direitos e liberdades, pode governar até 2029 por meio de um sistema com poucos contrapesos e equilíbrios.

Enquanto os diferentes partidos tentavam captar os indecisos, o presidente turco expressou confiança nas últimas horas da campanha, que se encerrou no sábado. "Os resultados se mostram bons", afirmou. "Mas isso não tem que nos abater. Um 'sim' forte será uma lição para o Ocidente", disse Edorgan, que durante a campanha criticou regularmente a União Europeia.

Ao todo, a votação ocorrerá em 81 províncias e são esperados cerca 55 milhões de turcos com direito a voto.

Questões políticas. Duas pessoas morreram e uma foi hospitalizada após uma briga entre famílias perto de um local de votação na província de Diyarbakir. Segundo a agência de notícias turca Dogan, a briga foi provocada por questões políticas. Os demais envolvidos foram detidos.  /EFE e AP

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