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Robert Atanasovski/AFP

UE enviará socorro  de 300 milhões de euros à Grécia por refugiados

Ajuda a países que são porta de entrada do bloco chegará a 700 mi de euros até 2018; fluxo de imigrantes para o país aumentou

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Andrei Netto,
CORRESPONDENTE / PARIS

02 Março 2016 | 22h04

PARIS - Pressionada por uma nova e iminente explosão da crise imigratória nos Bálcãs, a União Europeia anunciou nesta terça-feira, 2, que pretende liberar o montante de € 300 milhões em 2016 para investimentos na Grécia e outros países afetados pela chegada maciça de refugiados de países como Síria, Iraque e Afeganistão. 

O socorro financeiro, que será aplicado na construção de centros de acolhimento para até 100 mil pessoas em solo grego, é a principal resposta do bloco para o fechamento das fronteiras de países como a Macedônia, por onde os refugiados transitam.

A Grécia é a porta de entrada das pessoas que atravessam o Mar Egeu vindas da Turquia, situação geográfica que expõe o país à crise.

No início da semana, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, protestou contra a iniciativa de países como Áustria, Hungria, Eslovênia e Macedônia, que coordenaram esforços para fechar a passagem de imigrantes, retendo-os em solo grego. 

Na fronteira, na cidade de Idomeni, pelo menos 9 mil pessoas já estão retidas em um campo com capacidade para acolher 1,6 mil. Estima-se que em breve 100 mil terão chegado ao país só em 2016, isso porque o fluxo de chegadas está em torno de 1,8 mil pessoas por dia, segundo Melissa Fleming, porta-voz da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). 

Para enfrentar a crise, Tsipras pediu € 500 milhões para organizar centros de acolhimento e distribuição de ajuda humanitária.

O temor do governo radical de esquerda é de que a Grécia se transforme no “novo Líbano da Europa, um depósito de almas”, segundo a expressão do ministro de Política Imigratória, Ioannis Mouzalas.

Hoje, a UE admitiu o problema e anunciou um pacote financeiro: € 300 milhões em 2016 e outros € 400 milhões divididos entre 2017 e 2018. A medida deve ser homologada pelos chefes de Estado e de governo dos 28 países europeus. “A proposta é tornar os € 700 milhões disponíveis para fornecer ajuda onde ela é mais necessária”, disse o comissário europeu de Ajuda Humanitária, Christos Stylianides. “A ajuda irá em larga medida à Grécia, porque é lá que nós temos a crise humana mais grave.”

A situação é cada vez mais tensa na Grécia, onde os imigrantes forçaram grades construídas pelo governo da Macedônia. Na segunda-feira, tropas de choque voltaram a usar gás lacrimogênio para conter homens, mas também mulheres, crianças e idosos que desejavam seguir caminho em direção à Europa Ocidental. 

Mais cedo, 170 refugiados sírios foram autorizados a passar. “Não temos um instante a perder para deslocar todos os meios possíveis que nos permitam prevenir o desastre humanitário no interior de nossas fronteiras”, advertiu Stylianides.

Essa será a primeira vez que um país-membro da União Europeia receberá ajuda humanitária para aquisição de alimentos, alojamentos de campanha, cobertores e medicamentos. Até aqui, a ajuda humanitária era destinada à África e à Ásia.

Em Bruxelas, é crescente o temor de explosão da crise imigratória na Europa, com a iminente chegada da primavera.

O tema provoca extrema tensão política interna, já que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defende sozinha o acolhimento do maior número possível de refugiados, e sua divisão proporcional pelos países do bloco. Lançada em 2015 pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a política de cotas não funcionou, boicotada pelos países do Leste. 

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