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UE promete rever relações com Suíça após lei de restrição a imigrantes

O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2014 | 09h 34

Chanceler francês critica referendo e diz que consequências econômicas podem ser ruins

PARIS  - O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent, Fabius, criticou nesta segunda-feira, 10, o governo da Suíça depois da aprovação, em referendo popular, de uma proposta da extrema direita para estabelecer cotas para a entrada de imigrantes no país.

"É preocupante porque indica que a Suíça quer fechar-se em si mesma", disse Fabius à rádio RTL. "A União Europeia vai rever suas relações com a Suíça."

O "sim" à proposta venceu por uma margem mínima, com 50,3% dos votos. Com a medida, a Suíça transformou-se no primeiro país europeu a colocar barreiras a imigrantes do bloco.

"Na minha opinião é uma má notícia para a Europa e para a Suíça se a Suíça for penalizada economicamente por isso", acrescentou o chanceler.

Ainda ontem, a Comissão Europeia (CE) lamentou a iniciativa aprovada em referendo neste domingo na Suíça que restringe a imigração europeia para o mercado de trabalho suíço.

"A medida vai contra o princípio de liberdade de movimento entre UE e Suíça", disse por meio de nota o órgão executivo da UE. "A UE examinará as implicações da iniciativa nas relações bilaterais entre o bloco e a Suíça levando em conta o resultado do referendo".

O país não faz parte da UE, mas aderiu, em 2009, aos tratados de livre circulação de pessoas sob a condição de que o comércio estaria incluído. Localizada no centro da Europa e com milhares de pessoas que todos os dias cruzam as fronteiras da França, Itália e Alemanha para trabalhar em seu território, os suíços decidiram aprovar a proposta do Partido do Povo Suíço.

Pelo projeto, empresas suíças terão de privilegiar empregados nacionais nas contratações, algo que havia sido abolido em 2002, quando todos os europeus passaram a receber o mesmo tratamento. O país estabelecerá um sistema de cotas e limitará o número de familiares que poderão viver com um estrangeiro que trabalhe na Suíça. / REUTERS e EFE