REUTERS/Jonathan Ernst
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Um ano após vitória, Trump vê queda em popularidade e economia em alta

Apesar de bonança econômica, nível de aprovação é o pior de um presidente americano em seu primeiro ano de mandato; relação entre republicanos e democratas atinge polarização inédita

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 05h00

As bolsas de valores dos EUA batem recordes sucessivos, o desemprego está no mais baixo patamar em 17 anos e o índice de confiança dos consumidores é o maior desde 2004. Ainda assim, Donald Trump tem o mais baixo índice de aprovação da história para um presidente em seu primeiro ano de mandato. 

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 Os 12 meses transcorridos desde sua surpreendente vitória – anunciada em 8 de novembro de 2016 – foram marcados por um estilo belicoso, normalmente traduzido em posts de 140 caracteres no Twitter, que acabaram aprofundando as divisões da sociedade americana. 

 Nesse período, a sombra da influência da Rússia na derrota de Hillary Clinton cresceu e levou aos primeiros indiciamentos de assessores de sua campanha. Pesquisa Washington Post/ABC News divulgada na semana passada mostrou que 49% dos entrevistados acreditam que o presidente provavelmente cometeu um crime no caso da Rússia.

“A percepção das pessoas em relação à economia está sendo influenciada pela percepção que elas têm de Trump em outras áreas”, avaliou Andrew Rudalevige, cientista político da Faculdade Bowdoin especializado em história presidencial dos Estados Unidos. “No atual clima de polarização, é difícil olhar os indicadores econômicos de maneira objetiva”, afirmou Rudalevige.

David Cohen, cientista político da Universidade de Akron, ressaltou que Trump herdou de Barack Obama uma economia que já mostrava números positivos. O presidente democrata assumiu o governo logo depois da crise financeira de 2008 e enfrentou um índice de desemprego de 10% em 2010. Quando ele deixou o governo, em janeiro deste ano, o indicador havia caído para 4,9% e a Bolsa de Valores acumulava 92 meses de alta.

“Trump tem sido um presidente extremamente controvertido, que exacerbou as divisões na sociedade americana”, ponderou Cohen. Série histórica do Instituto Gallup mostra que apenas 37% dos entrevistados aprovam a performance de Trump, enquanto 57% desaprovam. 

Mas há um fosso sem precedentes entre a visão dos republicanos e a dos democratas. Entre os que pertencem ao partido do presidente, a avaliação positiva chega a 83%. O índice é de apenas 6% entre os que pertencem à legenda opositora, uma polarização que nunca havia sido registrada. 

No seu discurso de vitória em Nova York, Trump prometeu que unificaria a sociedade americana. “Agora é o momento de a América curar as feridas da divisão”, afirmou. Desde então, suas ações e retórica aprofundaram a polarização.

“Os Estados Unidos estão polarizados a respeito de quase tudo e nós temos novas divisões que não tínhamos no passado”, afirmou Clifford Young, diretor do instituto de pesquisas Ipsos no país. Segundo ele, Trump estimulou o sentimento anti-imigrante e o “ressentimento branco” na população americana.

O presidente se recusou a condenar de maneira inequívoca supremacistas brancos e neonazistas que marcharam em Charlottesville em agosto e usou o Twitter e discursos para atacar jogadores da Liga Nacional de Futebol americano que se ajoelhavam durante a execução do hino nacional. A maioria deles era negra e o gesto era um protesto contra a violência policial direcionada a afro-americanos.

Young disse que mensagem semelhante aparece na reação distinta de Donald Trump diante do ataque terrorista em Nova York cometido por um imigrante e nos ataques a tiros em Las Vegas e Texas, perpetrados por homens brancos. O presidente prometeu restringir a imigração depois do ato em Nova York e atribuiu os outros dois massacres ao desequilíbrio mental de seus autores.

Rudalevige ressaltou que Trump celebra um ano de sua vitória sem implementar várias de suas principais promessas de campanha: a rejeição do Obamacare, a aprovação de uma reforma tributária e implementação de um pacote de investimentos em infraestrutura.

 

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