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Um grupo radical determinado a dominar

Militantes do EI sofrem revés no Iraque ao serem bombardeados pelos EUA e atacados pelos curdos, mas avançam na Síria

Gilles Lapouge

Boa-nova. No Iraque, na região de Mossul, os militantes do Estado Islâmico (EI) que tentam estabelecer no Iraque e na vizinha Síria um "califado", isto é, uma região submetida aos fanáticos, sofreram seus primeiros revezes nos últimos dias, depois de terem conseguido, sem dificuldade, apoderar-se da Província de Anbar, a oeste da capital iraquiana, Bagdá, e da enorme barragem de Mossul, posição-chave na região.

Na segunda-feira, os jihadistas foram expulsos da barragem de Mossul pelas forças curdas, os famosos peshmergas, poderosamente apoiados, é verdade, por bombardeios americanos. No entanto, mal era divulgada essa notícia feliz, uma outra veio obscurecer seu fulgor. Ficou-se sabendo que, no país vizinho, a Síria, as legiões fanatizadas de Abu Bakr al-Baghdadi, chefe do EI, haviam lançado uma ofensiva vitoriosa contra as posições dos insurgentes anti-Bashar Assad, em Alepo e ameaçavam no norte da Síria, perto da fronteira turca, a cidade de Marea, berço da rebelião contra o presidente da Síria, em 2011.

Duas lições podem ser tiradas daí. A primeira é que as forças do EI são sólidas, numerosas e podem travar combate contra dois adversários ao mesmo tempo. A segunda é que, ao enviar seus guerreiros ao mesmo tempo para o Iraque e para a Síria, Baghdadi desconsidera fronteiras e Estados e age indiferentemente contra sírios e iraquianos.

Há uma terceira lição, mas como estamos no Oriente Médio, onde todas as coisas são complicadas, convém primeiro fazer um pequeno recuo no tempo para avaliar o significado deste avanço do EI na Síria. Em 2011, quando uma rebelião desafiou Assad, na Síria, tratava-se de uma revolta da democracia contra a tirania.

Após alguns meses, notou-se que os revoltados contra Assad foram engrossados por brigadas vindas de muito longe que, longe de compartilhar as pulsões democráticas dos primeiros insurgentes, buscavam um fim totalmente distinto. Essas pessoas não davam a mínima para a democracia. Aliás, o que elas queriam era o oposto. Pretendiam instalar na Síria a ordem glacial do islamismo. Eram herdeiras da Al-Qaeda, embora mais ferozes e mais bem organizados. Além disso, tinham no cerne do seu pensamento o projeto de instalar seu reinado de ferro não somente na Síria ou no Iraque, mas em toda uma região arrancada, assim, tanto da história quanto da geografia - sob a forma de "califado".

O que ocorre agora mostra que a estratégia do "califado" já está perto de sua aplicação e, no mesmo golpe, a situação da Síria se torna muito perigosa. Eis um país que é o campo de batalha de três grupos: há o presidente legal, Bashar Assad, que resiste aos ataques dos insurgentes; há os impiedosos jihadistas do Estado Islâmico; e, entre esses dois campos, o dos primeiros insurgentes, dos democratas, cuja posição é cada vez mais precária.

Essa análise pretende dar sua justa importância à vitória que os peshmergas, apoiados pela aviação americana, infligiram ao retomar a barragem de Mossul dos jihadistas. É um desdobramento impressionante após os catastróficos meses de junho e julho para os iraquianos.

Ao mesmo tempo, os sucessos do EI na Síria, na região de Alepo e na direção da cidade de Marea, obrigam a relativizar esse sucesso. O "califa Ibrahim" está à frente de uma força móvel, numerosa e dotada de grande agilidade. Ele pode perfeitamente ceder terreno aqui para conquistá-lo acolá.

Quanto à rebelião inicial na Síria, após esses revezes no norte do país, e levando em conta a mobilidade e a força do EI, é a sua sobrevivência que está em jogo. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Gilles Lapouge é correspondente em Paris.

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