Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Unasul ainda não tem data para mediar crise política na Venezuela

Entidade espera sinal de Maduro sobre conversas com oposição; Brasil ajudará a melhorar distribuição de alimentos

Lisandra Paraguassu e Jamil Chade , BRASÍLIA e GENEBRA

03 Março 2015 | 19h43

 

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o governo da Venezuela ainda não chegaram a um acordo sobre a data da visita da comissão de chanceleres da entidade que deve intermediar a crise política no país. Em meio ao aprofundamento das disputas entre o chavismo e a oposição, Caracas informou nesta terça-feira, 3, que receberá ajuda brasileira para reorganizar o sistema de distribuição de alimentos no país, alvo de críticas nos últimos meses. 

Segundo o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a Unasul negocia com o governo venezuelano, mas ainda sem previsão para que o encontro aconteça. “No momento que formos convocados, nós participaremos. Vamos viajar e ver as condições dos dois lados. Mas não tem nenhuma data marcada”, afirmou o ministro. Participam da comissão Brasil, Colômbia e Equador. 

A intenção era que uma reunião prévia tivesse ocorrido em Montevidéu, durante a posse de Tabaré Vázquez, no domingo, da qual o presidente venezuelano, Nicolás Maduro não participou. A versão do governo é de que Maduro ficou em Caracas para participar de um ato lembrando os 26 anos do Caracazo - convulsão social que deixou centenas de mortos na capital venezuelana em 1989. 

Outra versão é de que Maduro quis evitar cobranças dos presidentes da região pela prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, e pela invasão das sedes do partido opositor Copei.

Nos últimos dias, o governo de Maduro foi criticado pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e advertido pelo ex-presidente do Uruguai José Mujica. Mesmo o Brasil, sempre cuidadoso no trato com assuntos internos de outros países, elevou o tom na última nota sobre a Venezuela, afirmando haver grande preocupação e citando a prisão de opositores e a invasão das sedes do Copei. 

“A posição do governo brasileiro está expressada nas últimas notas e estamos seguindo com atenção e cuidado todos os fatos que estão acontecendo, justamente para ver no que podemos contribuir nessa comissão”, acrescentou Vieira. 

Alimentos. Em Genebra, onde participou de uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, disse ao Estado que o governo brasileiro ajuda a reorganizar o sistema de distribuição de alimentos no país. 

A chanceler de Maduro destacou a amizade entre o Brasil e a Venezuela e disse que existem hoje mais de cem projetos de cooperação entre os dois países. “Estamos em tratativas entre os Ministérios de Relações Exteriores para que o Brasil possa nos ajudar a reorganizar o sistema de distribuição de alimentos no país, que foi destruído pela oposição”, disse. “O que prevemos nessa cooperação é uma ajuda para reorganizar a infraestrutura e logística da distribuição.”

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