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Unesco pede reunião do CS da ONU após destruição em Mossul

Para diretora, ação do EI viola resolução do CS da ONU, que condena a destruição do patrimônio e adota medidas contra o tráfico de antiguidades do Iraque e da Síria

O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2015 | 08h38

PARIS - A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova, pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para discutir a proteção do patrimônio cultural do Iraque, após a destruição de estátuas e outros objetos do museu de Mossul por jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Irina se mostrou "profundamente consternada" pelas imagens divulgadas em um vídeo pelo EI que mostram a destruição de dezenas de estátuas históricas do Museu da Civilização de Mossul, segundo um comunicado.

Quase três milênios de história desapareceram diante dos olhos do mundo, que pôde ver em um vídeo de cinco minutos como os jihadistas destruíam, em nome de sua interpretação radical do islã, peças que datavam da época assíria (séculos 8 e 7 a.C.), civilização que viveu o norte de Mesopotâmia.

A diretora-geral da Unesco condenou o que considera "um ataque deliberado contra a história e a cultura milenares do Iraque e uma nova incitação à violência e ao ódio". Acrescentou que esse "ataque é muito mais que uma tragédia cultural", é também uma "questão de segurança, na medida em que alimenta o sectarismo, o extremismo violento e o conflito no Iraque".

Além disso, representa, em sua opinião, uma violação direta da recente resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas (2199), que condena a destruição do patrimônio cultural e adota medidas juridicamente vinculativas para lutar contra o tráfico ilegal de antiguidades e objetos culturais do Iraque e da Síria.

Por isso, anunciou que telefonou para o presidente do Conselho de Segurança e pediu que convocasse "uma reunião urgente para tratar da proteção do patrimônio cultural iraquiano como elemento constituinte da segurança do país".

Segundo o comunicado, várias estátuas de grande tamanho procedentes de Hatra, inscritas na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco e conservadas no museu de Mossul, assim como outros objetos únicos procedentes de outros lugares arqueológicos da província de Ninawa, foram destruídos, entre muitas outras peças. "A destruição sistemática de elementos emblemáticos do patrimônio iraquiano da qual estamos sendo testemunha há meses é algo intolerável que deve acabar imediatamente", concluiu Irina.

Nas imagens do EI é possível ver como os membros do grupo jihadista, munidos de marretas e talhadeiras, transformam em pedaços algumas figuras de incalculável valor monetário e, sobretudo, cultural, em ações que ocorreram na quarta-feira, segundo disseram à Agência Efe vários arqueólogos que pediram o anonimato.

Esse ato de vandalismo é justificado por um dos jihadistas que aparece no vídeo, que afirma que os povos da antiguidade adoravam ídolos "ao invés de Alá". /EFE

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