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Ralph Barrera/Austin American-Statesman via AP

Universidade do Texas, nos EUA, autoriza armas de fogo em suas salas de aula

Medida é consequência de lei aprovada pelo legislativo estadual, controlado por republicanos, e causou grande repercussão; porte continua proibido em repúblicas, eventos esportivos e laboratórios

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O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2016 | 10h16

AUSTIN, EUA - A partir do próximo período letivo, os estudantes da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, poderão levar armas para as salas de aula junto com seus computadores, livros e cadernos, anunciou na quarta-feira o presidente da instituição após meses de controvérsia.

"Não acredito que as armas pertençam à Universidade, tomar esta decisão foi o maior desafio da minha vida", afirmou o presidente Greg Fenves, que também anunciou que a medida não será aplicada nas repúblicas estudantis, nos eventos esportivos e nos laboratórios.

A norma, à qual Fenves e a maior parte da comunidade universitária se opõem, foi aprovada há alguns meses nas duas câmaras legislativas do Texas, que são controladas pelos republicanos, dentro de um pacote de medidas que também inclui o livre porte de armas nas vias públicas.

A Universidade do Texas, que conta com cerca de 50 mil estudantes e é uma das maiores e mais prestigiadas do país, é obrigada a implementar a norma, enquanto as instituições particulares podem escolher se irão fazê-lo ou não, e a maioria já rejeitou tal medida.

O reitor da Universidade, William McRaven, um ex-militar que comandou a operação que resultou na morte de Osama bin Laden, também se manifestou contra a lei. "As armas não têm lugar em uma instituição de ensino superior cuja missão investigativa e educativa tem como base o debate e a liberdade de expressão", disse McRaven.

O único Nobel que a Universidade do Texas tem em seu corpo docente, Steven Weinberg, laureado pela Academia Real de Ciências da Suécia com o prêmio de Física em 1979, já adiantou que proibirá a entrada de estudantes armados em suas aulas, por sua própria segurança e dos alunos.

Assim como Weinberg, centenas de professores e milhares de estudantes se posicionaram contra essa norma. Por outro lado, os partidários, grupos ativistas alheios à comunidade universitária, argumentam que a medida pode salvar vidas, já que um estudante armado poderia prevenir um massacre.

Ironicamente, a nova legislação entrará em vigor no 50º aniversário do dia mais triste da história da Universidade do Texas: um massacre protagonizado por um estudante que deixou 14 mortos e mais de 30 feridos no campus de Austin. / EFE

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