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Vaticano confirma que abrirá ‘em poucos meses’ arquivos da ditadura argentina

Papa Francisco já havia manifestado seu desejo de abrir os documentos relacionados aos anos de 1976 a 1983 na Argentina, quando 30 mil pessoas desapareceram

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O Estado de S. Paulo

23 Março 2016 | 12h31

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano confirmou nesta quarta-feira, 23, a abertura “em poucos meses” dos arquivos relacionados à ditadura militar na Argentina (1976-1983) por vontade do papa Francisco, indicou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

“Como já havia sido anunciado, o papa Francisco manifestou seu desejo de abrir para consulta os arquivos do Vaticano relacionados à ditadura na Argentina (1976-1983). Para eles, é necessário catalogar o material. O trabalho está sendo realizado e esperamos que termine nos próximos meses”, indicou Lombardi.

A abertura de arquivos como cartas, informes da nunciatura, testemunhos e documentos sobre esse período da história argentina apresentará elementos importantes para esclarecer muitos casos de pessoas desaparecidas.

Organizações humanitárias e, e particular, as Mães e Avós da Praça de Maio haviam solicitado ao papa que autorizasse a medida.

A confirmação, por parte do Vaticano, foi anunciada na véspera em que se completa 40 anos do golpe de Estado que estabeleceu o início de uma sangrenta ditadura na Argentina. Durante este período, 30 mil pessoas desapareceram, segundo organizações humanitárias.

O Vaticano ressaltou que para consultar os arquivos, será preciso estabelecer “os prazos e condições, de acordo com a Conferência Episcopal Argentina”, assim como para outros documentos históricos.

Há alguns dias, a Santa Sé afirmou que derrubaria o sigilo dos documentos da ditadura argentina e que estava "ordenando seus arquivos" para liberá-los, disse o secretário-geral da conferência, Carlos Malfa.

"A liberação dos arquivos leva tempo porque implica na leitura e classificação dos documentos. Em geral, se trata de cartas que eram recebidas por religiosos sobre desaparecidos. Há também jornais da época", explicou Malfa. No entanto, na ocasião, o secretário episcopal havia afirmado que ainda não poderia estabelecer as datas de quando os documentos estariam públicos. /AFP e ASSOCIATED PRESS

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