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Velha oposição ao chavismo ganha força

- Atualizado: 30 Janeiro 2016 | 16h 25

Presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup torna-se protagonista na MUD

Após derrubar o pedido de poderes especiais do presidente Nicolás Maduro e implementar a agenda legislativa da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), que na semana passada colocou em votação a revisão de um programa habitacional chavista, o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, consolidou seu protagonismo dentro do bloco opositor venezuelano.

Eleito como uma alternativa aos dois maiores partidos da MUD – o Voluntad Popular (VP), de Leopoldo López, e o Primero Justicia (PJ), de Henrique Capriles –, ele tem se tornado a face visível da oposição e advogado pela realização de um referendo revogatório do mandato de Maduro.

Estudantes cercam Ramos Allup durante visita à Assembleia Nacional

Estudantes cercam Ramos Allup durante visita à Assembleia Nacional

Analistas que acompanham o cenário político venezuelano creditam a ascensão de Allup – um político experiente do partido Ação Democrática, um dos principais da 4.ª República – o período que antecedeu ao chavismo –, a uma maneira de evitar a cisão entre o PJ e o VP. Enquanto Capriles defende a cautela e uma aproximação direta com eleitores antes simpáticos ao chavismo, o partido de Leopoldo defende a saída imediata de Maduro da presidência.

Com a segunda maior bancada dentro da MUD, a Ação Democrática (AD) conseguiu viabilizar a eleição de Ramos Allup. Hábil nos bastidores, o presidente da AN dividiu sua atuação entre bater de frente com o chavismo, como no episódio da retirada dos quadros de Hugo Chávez e Simón Bolívar da Assembleia, e negociar, quando os deputados opositores impugnados pela Justiça acataram a cassação de seus mandatos.

“Quando a direção da AN foi escolhida, optou-se por uma estratégia de agrupamento. Ou seja: se o VP sente que o PJ é um adversário potencial a sua expectativa de ter um candidato em uma eventual eleição, prefere apoiar um candidato da AD. E vice-versa”, disse ao [BOLD]Estado[/BOLD] o diretor do Instituto Datanálisis Luis Vicente León. “Mas, com isso, a AD pretende retomar sua força e viu a oportunidade de voltar a se apresentar como um partido forte – que sempre foi, mas ultimamente não era visto como tal.”

Com o protagonismo de Ramos Allup, o chavismo optou por centrar suas críticas na AD e lançou uma campanha nas redes sociais para vincular o presidente da Assembleia e seu partido à crise econômica dos anos 80 e 90, que acabaram por levar Chávez a assumir o poder em 1999.

“Lembrem-se de como era a 4.ª República de Ramos Allup”, diz uma das campanhas lançadas na internet pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Apesar das críticas, os resultados econômicos atuais do chavismo são até piores que os do final da 4.ª República.

Ideólogo do socialismo do século 21 e hoje crítico tanto do chavismo quanto da oposição venezuelana, o sociólogo Heinz Dieterich vê um estado de paralisia no sistema partidário venezuelano provocado pelas disputas internas tanto no bloco governista quanto no opositor.

“A MUD se divide no centrismo de Capriles e Henri Falcón e os que defendem a saída de Maduro, como Ramos Allup e os detidos (López e o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma)”, afirma. “A luta por hegemonia influi fortemente na evolução das contradições entre a MUD e o PSUV e qualquer solução pacífica passa por um entendimento entre a oposição centrista e o chavismo moderado (o vice-presidente Aristóbulo Istúriz).”

Ao longo da semana, em duas oportunidades, Ramos Allup defendeu a saída de Maduro por meio de referendo revogatório e disse que seria “irresponsável” deixá-lo terminar o mandato.

“Ramos Allup é uma raposa política. Ele mistura o radicalismo com a negociação. Num cenário hipotético de um referendo revogatório, em vez de apoiar López ou Capriles, ele pode muito bem viabilizar a própria candidatura”, diz León. 

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