Jose Luis Magana/AP
Jose Luis Magana/AP

Venezuela ameaça sair da OEA se grupo fizer reunião para debater crise no país sem aval do governo

Para sair, país precisa pagar dívida de US$ 8,7 milhões com grupo; presidente Nicolás Maduro considera a organização um braço da política hostil dos EUA e diz que Luis Almagro trabalha para seus adversários em Washington

O Estado de S.Paulo

26 Abril 2017 | 11h22

CARACAS - A Venezuela alertou na terça-feira 25 que pode sair da Organização dos Estados Americanos (OEA) se o grupo decidir seguir em frente com uma possível reunião de chanceleres para debater a situação do país em crise sem o aval dos venezuelanos.

Para sair do bloco, Caracas precisaria esperar alguns anos e pagar a dívida que tem com a OEA, que já chega a US$ 8,7 milhões. O artigo 143 da Carta Democrática estabelece que um país é desligado da organização dois anos depois que comunica sua queixa, explicou o secretário de Assuntos Jurídicos do grupo, Jean Michel Arrighi. Entre as obrigações, está o pagamento pendente de sua parte como membro da OEA.

Comandada por um governo de esquerda, a Venezuela e a OEA têm se confrontado há meses e a liderança da organização afirmou que o país deve ser suspenso do grupo caso não realize eleições gerais "o mais rápido possível", em meio a uma grave crise econômica.

A organização sediada em Washington disse que seu conselho permanente vai realizar uma reunião nesta quarta-feira, 26, "para a 'consideração da resolução convocando uma reunião de consulta a ministros das Relações Exteriores' sobre a situação na Venezuela". A organização informou também que o evento foi convocado por mais de 12 países, incluindo o Brasil e os EUA.

"Caso uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Organização dos Estados Americanos aconteça sem a aprovação e o consentimento do governo venezuelano, eu recebi instruções do presidente Nicolás Maduro para começar o processo de remoção da Venezuela dessa organização", disse a ministra das Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, à emissora estatal na noite de terça-feira.

O governo de Maduro considera a OEA um braço da política hostil dos EUA e despreza frequentemente o líder do grupo, Luis Almagro, ex-ministro das Relações Exteriores do Uruguai. O chavista diz que Almagro é um vira-casaca que trabalha para seus adversários em Washington.

Para que a Venezuela seja suspensa da OEA, é necessário o voto de dois terços das 34 nações que fazem parte da Assembleia-Geral da organização. / REUTERS e EFE

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