Jose Luis Magana/AP
Jose Luis Magana/AP

Sob pressão, Venezuela diz que deixará OEA

Chanceler acusa a organização de ‘ingerência’ e de tentar um ‘golpe de Estado’ por convocar reunião para debater crise venezuelana

Felipe Corazza ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2017 | 19h31

O governo da Venezuela deu nesta quarta-feira, 26, mais uma mostra de radicalização diante da pressão internacional e anunciou a decisão de sair da Organização dos Estados Americanos (OEA). A ministra das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, afirmou em pronunciamento na TV que o país iniciará os trâmites para abandonar o órgão. O processo pode levar até dois anos. 

A atitude do governo do presidente Nicolás Maduro veio em resposta à decisão da OEA de convocar uma reunião extraordinária de chanceleres de seus países-membros para debater a grave crise venezuelana e a repressão a protestos de opositores. Desde o fim de março, manifestações têm ocorrido diariamente para exigir a convocação de eleições regionais que deveriam ter sido realizadas no ano passado, mas foram adiadas por prazo indefinido. 

A convocação da reunião foi aprovada pelos países-membros da organização por 19 votos a 10, com 4 abstenções. O Brasil votou a favor da realização do encontro. 

A chanceler venezuelana repetiu a versão do governo de Caracas acusando a OEA de “ingerência” e de uma tentativa de “golpe de Estado” articulado a partir do exterior para derrubar Maduro. Em seu discurso, Delcy mencionou o impeachment da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff como exemplo de “ação externa”. 

Violência. Horas antes da nova troca de hostilidades entre o chavismo e a OEA, mais um protesto de opositores foi reprimido na capital, Caracas. Por volta das 10 horas, quando manifestantes começavam a se reunir em pontos espalhados pela cidade, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersá-los. 

A atual onda de protestos teve início quando o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país, acusado de se submeter ao chavismo, tentou anular os poderes da Assembleia Nacional (AN) – órgão máximo do Legislativo e controlado pela oposição – no fim de março. O TSJ voltou atrás na sentença, mas os manifestantes continuaram indo às ruas. A oposição agora já cobra que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) convoque não apenas a votação regional, mas sim uma eleição geral.

O funcionamento do sistema de metrô foi suspenso durante o fim da manhã e o início da tarde e grande parte do comércio decidiu não abrir as portas – por medo da violência e também pela dificuldade de acesso imposta aos funcionários pelo caos nos transportes.

A GNB mantém em locais estratégicos um contingente reforçado e equipamentos antimotim. Na Praça Venezuela, horas após a dispersão forçada do protesto, cinco blindados, dois caminhões com lançadores de jatos d’água e cerca de três dezenas de homens montavam guarda. 

 

 

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