Venezuela convida credores para debater renegociação de dívida externa

Venezuela convida credores para debater renegociação de dívida externa

Analistas acreditam que chavismo queira antecipar discussão financeira para chegar fortalecido às eleições do ano que vem

O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2017 | 15h21

CARACAS - O governo da Venezuela convidou credores internacionais para uma reunião no dia 13 em Caracas para discutir os termos da renegociação de sua dívida externa, estimada em US$ 150 bilhões. O anúncio foi feito um dia depois de o presidente Nicolás Maduro prometer renegociar e reestruturar a dívida, sem deixar claro se o país decretaria moratória

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Em pronunciamento na TV estatal, o vice-presidente Tareck El Aissami garantiu que os US$ 1,1 bilhão em títulos da dívida que vencem neste mês serão pagos nos próximos dias. “Vamos buscar de maneira conjunta mecanismos que garantem o cumprimento dos compromissos da renegociação da dívida”, disse El Aissami, acompanhado dos ministros da Economia e do Petróleo. 

O vice-presidente responsabilizou as sanções implementadas pelos Estados Unidos, que dificultaram as opções de financiamento para a Venezuela, pela renegociação. “Queremos denunciar a sabotagem permanente e perseguição financeira por parte do governo Trump”, acrescentou El Aissami, que lembrou que, desde 2014, o país já pagou 71 bilhões em títulos da dívida. 

Em virtude do sucateamento da PDVSA, do descontrole nos gastos públicos e da queda do preço do petróleo a partir de 2014, a Venezuela viu suas reservas em dólares caírem vertiginosamente nos últimos anos. O governo tentou conter a sangria congelando a oferta de dólares para importação, que provocou uma crise generalizada de escassez de remédios, alimentos e matérias-prima. 

Em janeiro, já com o caixa severamente debilitado, Maduro recorreu à Rússia para obter crédito, em troca de ativos da PDVSA como a refinaria Citgo, nos Estados Unidos. Com isso, a Venezuela saldou seus compromissos no primeiro semestre.A partir de agosto, no entanto, as sanções impostas por Trump dificultaram ainda mais o fluxo de caixa venezuelano. 

A consultoria de risco Teneo Intelligence diz que existem benefícios políticos para os quais o presidente Nicolás Maduro pode estar olhando. Para a consultoria, a antecipação de US$ 9 bilhões em pagamentos de dívida vai reforçar o batismo de guerra do Partido Socialista para as eleições presidenciais de 2018, na qual o governo pretende conquistar mais seis anos de poder.

"Maduro pode apostar que ocorra muitas batalhas legais prolongadas com os detentores da dívida, bem como ajuda da China e da Rússia, o que levaria o chavismo ao poder em 2019", diz a consultoria. "A capacidade do chavismo de enfrentar as tempestades políticas e econômicas não deve ser subestimada".

Para a consultoria Torino Capital, embora o presidente Nicolás Maduro tenha prometido fazer um pagamento de US$ 1,1 bilhão do principal até sexta-feira, o país já está utilizando seu período de carência de 30 dias em relação a juros que totalizam US$ 964 milhões até o final de ano.

O pagamento desse montante daria aos credores pouco incentivo em participar de uma eventual reestruturação da dívida, diz a nota da consultoria. "No momento, tomamos esse anúncio como um sinal de que a intenção do governo é de refinanciar sua dívida, mas acreditamos no fim que tal hipótese é pouco provável", diz a Torino Capital, acrescentando que "o governo venezuelano deve frustrar essa expectativa ao ser confrontado com a perspectiva de um pedido de garantia envolvendo ativos e recebíveis". /AFP, DowJones e Reuters

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