JUAN BARRETO/AFP
JUAN BARRETO/AFP

Venezuela dá prazo para redução do corpo diplomático dos EUA no país

Governo de Nicolás Maduro exige que número de funcionários da embaixada caia de 100 para 17 em até 15 dias; tensão entre países cresce

O Estado de S. Paulo

02 Março 2015 | 21h29

CARACAS - A ministra de Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, se reuniu nesta segunda-feira, 2, com representantes da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, em meio ao aprofundamento das tensões entre os dois países, e deu um prazo de duas semanas para a representação diplomática diminuir o tamanho de sua equipe no país, como determinou, no fim de semana, o presidente Nicolás Maduro.

Segundo Delcy, apenas 17 pessoas devem permanecer trabalhando na representação. Os diplomatas americanos terão de apresentar um plano com o nível de classificação dos funcionários. Segundo Maduro, cerca de 100 pessoas estão acreditadas na embaixada. “Foi concedido um prazo de 15 dias para apresentar o plano quanto à classificação de categoria dos funcionários que deverão permanecer em nosso país credenciados por seu governo na Venezuela”, disse a ministra.

Ainda de acordo com a chanceler, um decreto que exigirá visto obrigatório dos americanos para visitar a Venezuela deve ser publicado nos próximos dias. O representante da embaixada americana, Lee McClenny, não deu declarações. Além da redução da equipe diplomática e da exigência de vistos, Maduro proibiu a entrada na Venezuela dos parlamentares americanos Ileana Ros-Lehtinen, Mario Díaz-Balart, Bob Menéndez e Marco Rubio, além do ex-presidente George W. Bush, seu vice, Dick Cheney, e do ex-diretor da CIA George Tenet.

“Como já mencionamos bastante, são medidas e ações diplomáticas com base no direito internacional público, nos propósitos e princípios da Organização das Nações Unidas e, em princípio, dizem respeito à reciprocidade que deve reger a relação entre Estados soberanos”, disse Delcy.

Retorno. Na terça-feira, 3, devem voltar aos Estados Unidos quatro missionários presos na semana passada na Venezuela. Eles foram libertados no sábado e passaram alguns dias em Aruba para descansar. Acusados de espionagem, os religiosos dizem ter sido interrogados por vários dias pelas autoridades. Não ficou claro ainda, no entanto, se todos os supostos “espiões americanos” que Maduro afirmou ter detido seriam apenas os quatro.

Os religiosos pertencem à Igreja Evangélica Bethel. “Eles descansaram um pouco e se acalmaram. Estão com alguns parentes aqui e esperam chegar em casa logo”, disse o pastor Bruce Dick, líder da congregação religiosa. “Nós só queremos que eles voltem para casa e descansem.”

Os missionários foram detidos por agentes do governo na cidade de Ocumare de La Costa, na quarta-feira. De lá, foram transferidos para Maracay, na região central da Venezuela. Segundo Dick, os acusados de espionagem foram interrogados frequentemente, mas foram bem tratados.

O diretor de imprensa da embaixada americana na Venezuela, Glenn Guimond, disse que os religiosos ficaram impedidos de voltar à Venezuela por dois anos. Segundo o Departamento de Estado americano, eles foram deportados por não terem o visto correto de permanência no país.

Segundo a congregação, essa foi a primeira vez que os religiosos tiveram problemas com as autoridades venezuelanas. “Estamos aqui há 13 anos e, por isso, o que aconteceu foi um pouco chocante”, disse Dick. “Temos história aqui. Ajudamos muito a comunidade. Muitas perguntas (sobre o caso) estão em aberto.”

Oposição. Ainda na segunda-feira, 2, Mitzy Capriles, mulher do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma - preso no mês passado sob a acusação de conspirar contra o governo -, disse que viu seu marido no presídio e ele está bem.

“Seu estado de saúde, em termos gerais, é bom. Está muito forte e bem de espírito. Com um desejo enorme de continuar lutando pela democracia e pela liberdade”, declarou Mitzy à emissora Notícias24.

O prefeito da capital venezuelana e líder do partido opositor Alianza Bravo Pueblo (ABP) foi detido no dia 19 em seu escritório, no centro da cidade. No dia seguinte, foi acusado formalmente de conspiração e associação delitiva e enviado à prisão militar de Ramo Verde, próxima a Caracas. / AFP, AP e EFE

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