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Venezuela e Ucrânia são situações 'absolutamente díspares', diz Dilma

Andrei Netto, Enviado Especial / Bruxelas

24 Fevereiro 2014 | 19h 26

Presidente diz que não Brasil não deve intervir na situação interna de outros países e que não se pode esquecer "ganhos reais" trazidos pelos governos de Hugo Chávez e Nicolas Maduro

BRUXELAS - A presidente Dilma Rousseff descartou nesta segunda-feira, 24, em Bruxelas, na Bélgica, a hipótese de que o Brasil intervenha na crise política que paralisa a Venezuela e disse que o país vive uma situação "absolutamente díspar" da passada pela Ucrânia na semana passada.

As declarações foram feitas ao término da reunião de cúpula Brasil-União Europeia, realizada na capital belga. Questionada por jornalistas brasileiros sobre a situação política da Venezuela, em especial sobre o cerceamento à liberdade de imprensa - o governo de Nicolas Maduro não vem autorizando a compra de papel-jornal por jornais opositores, o que na prática ameaça a circulação dos diários -, a presidente deu a entender que o Brasil não deve se manifestar a respeito do caso. "O Brasil é um país que defende e sempre defendeu a liberdade de imprensa", limitou-se a afirmar, referindo-se à liberdade de expressão.

A seguir, Dilma afirmou que as manifestações realizadas no Brasil em junho não foram reprimidas com violência - sugerindo que o exemplo brasileiro é diferente dos casos venezuelano e ucraniano. "Temos no nosso registro um momento excepcional que foram as manifestações de junho, em que não houve nenhuma repressão", alegou, sem citar os choques entre a polícia e os manifestantes em diversas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro. "Nós convivemos com a democracia. E quem tem democracia quer sempre mais democracia."

Só então a presidente passou a analisar a situação de Venezuela e Ucrânia. "Não podemos comparar casos absolutamente díspares. No caso da Venezuela, vemos uma situação em que houve…", disse, interrompendo seu raciocínio. "Eles têm uma história. Não cabe ao Brasil discutir o que a Venezuela tem a fazer, até porque seria contra a nossa política externa. Não nos manifestamos sobre a situação interna de nenhum país. Não nos cabe isso."

A presidente destacou ainda as supostas conquistas obtidas pelo país vizinho, sócio do Brasil no Mercosul, durante os governos de Hugo Chávez e Nicolas Maduro - sem citar os nomes dos dois presidentes. "Para o Brasil é muito importante que se olhe sempre a Venezuela do ponto de vista dos efetivos ganhos que eles tiveram nesse processo em termos de educação e saúde para o seu povo", justificou, pregando então um entendimento nacional: "Agora, acreditamos que sempre, em qualquer situação, é muito melhor o diálogo, o consenso e a construção democrática do que qualquer tipo de ruptura institucional".

Segundo Dilma, pior do que um governo contestado pode ser o vácuo de poder e o desmoronamento das instituições públicas. "Quando há o vazio político é possível que o outro ocupe, mas sempre tem um candidato que sempre tenta ocupar: o caos. Com o caos vem sempre a desconstrução econômica, social e política", afirmou.

Nesse instante, a presidente voltou a minimizar qualquer comparação entre a situação em Caracas e o caso de Kiev. "O caso da Venezuela é distinto, não é uma situação igual à da Ucrânia. Sempre tivemos dentro dos órgãos latino-americanos uma posição de dar apoio à democracia, e não vamos abandonar", disse.