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Venezuela investigará denúncias feitas por ex-ministro em carta

O Estado de S. Paulo

11 Julho 2014 | 09h 38

Após ser demitido, Giordani acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de corrupção e irregularidades no controle de câmbio

CARACAS - A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, afirmou na quinta-feira 10 que fará uma investigação sobre as acusações de corrupção contra o governo do presidente Nicolás Maduro, feitas pelo ex-ministro de Planejamento Jorge Giordani em uma carta pública que divulgou durante o episódio que resultou na sua demissão.

Segundo Ortega, em entrevista ao canal Globovisión, na carta estavam escritas "denúncias que não diziam nada", mas foram feitas denúncias na Promotoria fundamentadas na carta e aceitas para serem investigadas. "Foi designada uma promotora para investigar, vamos intimar as pessoas que fizeram as denúncias, que não devem se sentir perseguidas, para explicarem qual é o fato."

Questionada sobre as denúncias feitas por Giordani há mais de um ano sobre irregularidades no controle de câmbio do governo, a procuradora-geral afirmou que o Ministério Público está investigando. "Desde o ano passado, MP está trabalhando nos fatos relacionados à tramitação de dólares. Nós não vamos parar diante de quem comete um delito, não importa que seja um funcionário de alto escalão."

Ortega aproveitou para dizer que solicitou ao Executivo uma reforma na Lei Anti-Corrupção para poder aplicá-la aos funcionários de alto escalão que enriqueceram "rapidamente".

Ao ser demitido, Giordani, chavista histórico e um dos maiores defensores do controle do câmbio no país, publicou uma carta em dois sites governistas criticando Maduro. Segundo o documento, o governo "não tem liderança", causa uma sensação de "vazio de poder" e cede facilmente às pressões dos setores privados que querem o "retorno do modelo capitalista ao país".

Giordani disse ainda que a debilidade da presidência permitiu o surgimento de "centros de poder", destruindo a tarefa revolucionária de instituições como o Ministério das Finanças e o Banco Central, além de "dar como fato consumado a independência da PDVSA do poder central". / EFE