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REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Venezuela pede apoio a Equador, Argélia e Rússia para marcar reunião da Opep

Ministro de Mineração e Petróleo da Venezuela enviou carta para membros da organização pedindo reunião em fevereiro para discutir medidas que contenham a queda do preço da commodity energética

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O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2016 | 10h12

CARACAS - O ministro de Mineração e Petróleo da Venezuela, Eulogio Del Pino, informou na quinta-feira que solicitou o apoio de Equador e Argélia para concretizar uma reunião ministerial extraordinária da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em fevereiro. Ele também pediu respaldo da Rússia, que não faz parte da organização.

"Nós estamos fazendo consultas, foi parte da reunião com nosso amigo, o ministro (de Petróleo do Equador, Carlos) Pareja, e fizemos uma consulta com os ministros da Argélia e também falei com o ministro do Petróleo da Rússia na semana passada, sobre a possibilidade de que ele venha", disse Del Pino.

A Venezuela solicitou ontem uma reunião extraordinária de ministros dos países da Opep com o objetivo de tomar medidas para conter a queda dos preços do petróleo.

"Nós estamos propondo, na carta que dirigi a todos os países-membros, que esta reunião aconteça o mais tardar em fevereiro. Temos uma situação nos preços que está sendo afetada por uma série de fatores geopolíticos".

O ministro venezuelano disse que seu país propõe que "o preço de equilíbrio" fique "na ordem de US$ 60 o barril", o que "permite sustentar um preço e um nível de produção de 94 milhões de barris, que é a demanda atual da humanidade".

"Dentro de seis meses, ou um ano, vamos ter uma disparada dos preços, o que também é muito prejudicial, porque o preço chegará a níveis muito superiores ao preço de equilíbrio e, então, é algo que também não é o mais conveniente e é o que estamos tentando evitar", garantiu Del Pino.

O ministro venezuelano, que também preside a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), manteve na quinta-feira uma reunião com seu colega equatoriano, na qual revisaram projetos conjuntos e trocaram opiniões sobre estratégias para enfrentar a queda do mercado global de petróleo.

Pareja, por sua vez, afirmou que está ao lado do governo venezuelano em seu esforço para conseguir um preço que permita sustentar os investimentos.

"Queremos que haja uma reunião para que, em conjunto, disponhamos de uma visão que nos permita estabelecer preços mais estáveis", afirmou o ministro equatoriano.

O barril de petróleo da Opep recuperou um pouco de seu valor na quinta-feira, ao valorizar-se 1,82% e ser vendido por US$ 22,89. No dia anterior, porém, o preço da commodity tinha alcançado seu menor valor desde novembro de 2012 e chegou a ser negociado a US$ 22,48 depois de uma forte desvalorização.

O excesso de oferta, agravado pela desaceleração econômica da China e pela previsão da chegada de mais petróleo iraniano aos mercados, segue pressionando para baixo os preços da commodity energética.

Uma fonte da Opep afirmou na quinta-feira em Viena que é pouco provável que a reunião ministerial extraordinária solicitada pela Venezuela aconteça.

A economia da Venezuela depende, quase totalmente, da exportação de petróleo, por isso o país deve encontrar um meio de contornar a "guerra" que está sendo travada no mercado internacional, disse na terça-feira o presidente Nicolás Maduro. / EFE

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