EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Venezuelanos vão às ruas após líder opositor ser inabilitado politicamente

Polícia Nacional Bolivariana impediu a passagem de uma manifestação da oposição rumo à sede da Defensoria Pública, no centro de Caracas, o que motivou o início dos confrontos entre agentes e manifestantes

O Estado de S.Paulo

08 Abril 2017 | 19h05

CARACAS - Manifestantes marcharam por Caracas e outras cidades da Venezuela neste sábado, 8, depois que o banimento de cargos eletivos do líder opositor, Henrique Capriles, deu mais força a um movimento fraturado e impulsionado pelas primeiras manifestações contínuas anti-governo desde 2014.

Milhares de pessoas - algumas agências de notícias falavam em cerca de 4 mil - carregando cartazes escritos “Não à ditadura!” e “Capriles para presidente” em apoio ao opositor, participaram de manifestações contra o impopular governo do presidente Nicolás Maduro.

Autoridades empregaram neste sábado medidas de segurança usadas em protestos recentes, como o fechamento de 17 estações de metrô em Caracas e a criação de pontos de verificação em rodovias que levam à capital.

A Polícia Nacional Bolivariana (PNB) impediu a passagem de uma manifestação da oposição rumo à sede da Defensoria Pública, no centro de Caracas, o que motivou o início dos confrontos entre agentes e manifestantes.

Henrique Capriles assegurou que foi atacado “com bombas” quando estava dentro da sede de seu partido, Primero Justicia (PJ). “Urgente! Fomos atacados com bombas”, disse o opositor em sua conta no Twitter.

Forças da segurança usaram gás lacrimogêneo em uma importante avenida da capital venezuelana, enquanto a polícia em San Cristóbal, foco da oposição, atirou balas de borracha contra manifestantes, ferindo duas pessoas, de acordo com uma testemunha.

Os manifestantes também jogaram pedras, pedaços de madeira e bombas na Direção Executiva do Poder Judiciário, em Chacao, o que desencadeou os conflitos com policiais.

Ao menos 17 pessoas ficaram feridas durante os protestos, segundo o prefeito de Chacao, o opositor Ramón Muchacho. Ele detalhou que 10 indivíduos apresentaram “contusões e traumatismos diversos”.

“O governo está com medo. Se não estivesse, não iria fechar as ruas. Não iria desclassificar Capriles”, disse a advogada de 27 anos Gikeissy Diaz, acrescentando que metade de sua turma da graduação deixou o país e ela pensa em fazer o mesmo.

O vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, afirmou que os protestos deste sábado são ilegais uma vez que as autoridades desconheciam as rotas que seriam usadas pelos manifestantes. Os adversários da oposição alertaram que a intenção das manifestações é provocar violência e "um banho de sangue".

Os protestos estendem uma semana de inquietações causadas pela decisão recente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela de assumir o papel do Congresso, liderado pela oposição. A ação foi rapidamente revertida, mas a repercussão global provocada pelo ato reanimou a oposição.

Na quinta-feira 6, um jovem de 19 anos foi morto a tiros durante protestos (LINK). Um policial foi preso. A oposição afirma que mais de 100 ativistas políticos foram presos em uma campanha do governo contra os dissidentes. / REUTERS, EFE e AFP

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