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Vice argentino nega acusações em depoimento à Justiça

ARIEL PALACIOS - CORRESPONDENTE

10 Junho 2014 | 10h 06

Segundo Amado Boudou, diretor da Receita Federal argentina intercedeu a favor de gráfica envolvida em denúncias de corrupção

 BUENOS AIRES - O vice-presidente argentino Amado Boudou  disse ser inocente em depoimento na segunda-feira, 9, sua inocência perante o juiz Ariel Lijo. Boudou nega ter comprado em 2011 a gráfica Ciccone usando como testa de ferro o empresário Alejandro Vanderbroele. Boudou também negou que tivesse intercedido a favor da Ciccone, na época com pesadas dívidas com a Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip), a receita federal argentina.

Segundo o vice, foi o diretor do Fisco, Ricardo Etchegaray, quem fez o pedido de ajuda para a gráfica a ele, que na época era o ministro da Economia da presidente Cristina Kirchner. Após o depoimento, analistas argentinos acreditam na hipótese de "fogo amigo" entre integrantes do kirchnerismo.

Boudou também fez acusações contra o empresário Raúl Monetta, ex-banqueiro e atual dono de meios de comunicação favoráveis à presidente Cristina Kirchner. Monetta é um dos suspeitos de estar por trás dos fundos que permitiram o ressurgimento da então decadente gráfica Ciccone.

A gráfica Ciccone foi terceirizada em 2011 pelo governo da presidente Cristina Kirchner para imprimir notas de 100 pesos. Além disso recebeu a encomenda de imprimir material eleitoral da chapa presidencial Cristina Kirchner-Amado Boudou.

A Justiça também suspeita desta terceirização, já que Boudou, na ocasião, suspendeu os planos de modernização das máquinas da Casa da Moeda, fato que levou à necessidade de encomendar a impressão de notas de 100 pesos no exterior (neste caso, à Casa da Moeda do Brasil) e dentro da Argentina (encomenda feita à Ciccone).

A gráfica, comprada por Alejandro Vanderbroele, o suposto testa de ferro de Boudou, posteriormente foi rebatizada com o nome de Companhia Sul-americana de Valores. Em 2012 foi estatizada pelo governo Kirchner.