Divulgação/Vice-presidência da Colômbia
Divulgação/Vice-presidência da Colômbia

Vice-presidente da Colômbia nega envolvimento em caso Odebrecht

Germán Vargas pede punição a implicados em escândalo de corrupção; ministro acusa perseguição oposicionista

O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2017 | 02h56

BOGOTÁ - O vice-presidente da Colômbia, Germán Vargas Lleras, afirmou nesta terça-feira, 7, que não interveio nas finanças da campanha de reeleição do presidente Juan Manuel Santos em 2014, atingida pelo caso de propina da construtora Odebrecht, e disse que as investigações devem seguir "doa a quem doer".

"Na minha condição de candidato a vice-presidente da República, nunca interferi, nem direta nem indiretamente, no manejo da tesouraria nem no financiamento da campanha", afirmou, em carta publicada em seu Twitter.

Vargas se referiu à revelação que fez nesta terça o procurador-geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, que pediu ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que investigue o suposto ingresso no caixa dois da campanha de Santos de US$ 1 milhão que teriam sido pagos pela Odebrecht.

Martínez disse que esse dinheiro poderia haver ingressado na campanha por meio do ex-senador Otto Bula, detido em 14 de janeiro por seu envolvimento no escândalo da Odebrecht e acusado de ter recebido US$ 4,6 milhões dos mais de US$ 11 milhões que a empreiteira admitiu ter pago em propinas no país entre 2009 e 2014.

Segundo a investigação, Bula recebeu o dinheiro por ajudar a Odebrecht a conseguir o contrato de ampliação da via Ocaña-Gamarra, no noroeste, como parte da construção da autopista Rota do Sol II.

"No caso Odebrecht, doa a quem doer, as investigações devem chegar até esclarecer com precisão quem, quando e como incorreram atos de corrupção", escreveu o vice-presidente.

Vargas afirmou ainda que desde quando assumiu a vice-presidência, onde tem como função a gerência de grandes obras de infraestrutura do país, nunca "foi concedido um contrato à Odebrecht" nem por concessões, tampouco por licitações. Ele assumiu o cargo em 2014, já no segundo mandato de Santos.

O vice-presidente, que pretende ser candidato no ano que vem, citou três licitações para construção de rodovias celebradas em 2015 nas quais a Odebrecht participou e "em todas perdeu". "Desde a minha chegada à vice-presidência, e ante os recorrentes atrasos nos quais incorria a Odebrecht em projetos que executava, cujos contratos se celebraram muito antes da minha chegada ao cargo, tivemos como procedimento abrir processos e aplicar as multas correspondentes para exigir o cumprimento do prazo das obras", disse.

Oposição. Na noite desta terça, imediatamente após conhecer as declarações da promotoria, o secretário de Transparência da Presidência, Camilo Enciso, disse que a pasta "solicita às autoridades competentes que adiantem todas as investigações necessárias para estabelecer a verdade sobre esta nova acusação temerária".

Enciso atribuiu as denúncias ao partido opositor Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. A sigla também é citada no escândalo de pagamento de propinas por parte da empreiteira brasileira.

O procurador disse que também pediu ao CNE que investigue a declaração do publicitário Duda Mendonça, que disse em entrevista à revista Veja que teria recebido seu pagamento via caixa dois. O marqueteiro foi o responsável pela campanha de Óscar Iván Zuluaga, do Centro Democrático, derrotado no segundo turno pela chapa Santos-Vargas. A assessoria de Zuluaga também nega as acusações. / EFE

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