Vingadores agem em nome do Kremlin sem ordem explícita

CENÁRIO: Masha Gessen / NYT

O Estado de S.Paulo

03 Março 2015 | 02h02

O mais aterrorizador no assassinato de Boris Nemtsov é que ele não aterrorizava ninguém. "Ele não representava uma ameaça à liderança russa ou para Vladimir Putin", disse o secretário de imprensa do presidente russo, Dmitri Peskov, repetindo comentários do presidente em 2006, quando a jornalista Anna Politkovskaia foi morta. Há grande probabilidade de que ninguém no Kremlin tenha ordenado a morte de Nemtsov e por essa razão seu assassinato marca o início de um novo período na história russa. Recentemente, o Kremlin criou um exército de vingadores que acreditam agir pelo interesse do país, sem receber instruções explícitas. Nemtsov era um alvo lógico dessa força. Embora sua atividade não ameaçasse Putin, Nemtov estava inscrito em todas as listas na web de "inimigos da Rússia".

Em quase três anos desde que Putin voltou à presidência, o Kremlin tem se concentrado cada vez mais no inimigo interno. Um novo movimento chamado AntiMaidan realizou uma marcha em Moscou apelando à violência contra a "quinta coluna". Um dos cartazes trazia o nome de Nemtsov como organizador da revolução ucraniana. Menos de uma semana depois Nemtsov foi assassinado. A mensagem foi clara: as pessoas matarão em nome do Kremlin, diante da vista do Kremlin, tendo o Kremlin como pano de fundo ou se alguém simplesmente tiver a ousadia de se opor ao Kremlin. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É AUTOR DO LIVRO "WORDS WILL BREAK CEMENT:

THE PASSION OF PUSSY RIOT"

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