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Violência se agrava mas premiê rejeita renúncia na Tailândia

O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2014 | 15h 25

Exército afirmou que não vai interferir na situação e que o diálogo deve resolver o impasse político

BANGCOC - A primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, que permanece fora da capital por estar acuada por protestos em Bangcoc, descartou nesta segunda-feira, 24, a hipótese de renúncia.

Visitando uma exposição comercial na província de Saraburi, 100 quilômetros ao norte de Bangcoc, Yingluck defendeu o diálogo como forma de resolver a crise que já dura meses. "É hora de todos os lados conversarem entre si", disse Yingluck a jornalistas. "Muita gente me pediu para renunciar, mas pergunto: a renúncia é a resposta? E se ela criar um vazio de poder?"

Os protestos são marcados por tiroteios e explosões de bombas. No domingo, uma bomba matou três irmãos, sendo dois deles crianças.

O gabinete de Yingluck não confirmou há quantos dias ela se encontra despachando de fora da capital. Ela foi vista em público na cidade pela última vez no dia 11, quando os protestos já eram intensos.

Os manifestantes querem que Yingluck deixe o poder e que o irmão dela, o bilionário ex-premiê populista Thaksin Shinawatra, deixe de interferir na política local. Os protestos chegam ao quarto mês e pedem um governo interino não eleito para conter a influência de políticos populistas como os Shinawatras.

Os irmãos Shinawatra são especialmente populares entre os tailandeses pobres do norte e nordeste do país, ao passo que os protestos atraem o apoio principalmente das elites monarquistas e da classe média de Bangcoc e do sul.

O Exército, que depôs Thaksin em 2006, no último dos 18 golpes ou tentativas de golpe na Tailândia desde a implantação da monarquia constitucional, em 1932, disse que desta vez não irá interferir. "Alguém precisa assumir a responsabilidade, mas isso não significa que os soldados possam intervir sem trabalhar sob o marco", disse o comandante militar Prayuth Chan-ocha num raro pronunciamento televisivo, também propondo o diálogo. "Como podemos ter a certeza de que, se usarmos soldados, a situação voltará à paz?"

Os manifestantes, que perturbaram e boicotaram a eleição geral deste mês, foram orientados por seu líder a atacarem empresas ligadas a Thaksin e por isso se concentraram em frente a um canal de TV dirigido por um filho do ex-premiê.

No domingo, três pessoas - uma mulher e duas crianças - foramNo domingo, três pessoas - uma mulher e duas crianças - foram mortas e dezenas ficaram feridas em uma explosão de granada perto de um protesto contra o governo na capital tailandesa. A explosão ocorreu depois que pessoas em uma picape dispararam tiros e atiraram explosivos contra participantes de uma manifestação na província de Trat, cerca de 290 quilômetros a leste de Bangcoc, matando uma criança de cinco anos. Ao todo, 19 pessoas foram mortas e mais de 700 ficaram feridas desde que os protestos começaram.

Três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma explosão de granada perto de um protesto contra o governo na capital tailandesa no domingo. No sábado, pessoas em uma picape dispararam tiros e atiraram explosivos contra participantes de uma manifestação na província de Trat, cerca de 290 quilômetros a leste de Bangcoc, matando uma criança de cinco anos. Ao todo, 19 pessoas foram mortas e mais de 700 ficaram feridas desde que os protestos começaram.

O governo de Yingluck pode enfrentar uma ameaça maior da parte do judiciário da Tailândia do que dos militares. Na semana passada, a Comissão Nacional de Combate à Corrupção da Tailândia disse que vai cobrar a primeira-ministra por má gestão com relação a um programa de suporte aos preços de arroz que gerou prejuízos de US$ 8 bilhões até hoje.

Em uma declaração em sua página no Facebook na semana passada, a premiê disse que não houve corrupção associada ao programa, acrescentando que ele tinha como meta aumentar a renda nas áreas rurais. Se Yingluck for considerada culpada de má gestão, será suspensa das suas funções e enfrentará um processo de impeachment no Senado da Tailândia./ REUTERS e AP