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Vladimir Putin vai tentar se reeleger e buscar 4º mandato no Kremlin

Se conquistar a reeleição, em março, ele poderá completar 25 anos no governo da Rússia

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 22h12

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou ontem que se candidatará às eleições de março de 2018 e tentará conquistar um quarto mandato como chefe de Estado, o que o manteria no poder até 2024. Caso seja reeleito, Putin poderá completar 25 anos à frente do Kremlin e ficará a 4 anos de bater o recorde de Stalin. 

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Putin passou um ano se esquivando da questão se concorreria ou não a um novo mandato, mas pôs fim ao mistério ontem à tarde, em um discurso para operários em uma fábrica de automóveis na cidade de Nizhny Novgorod. “Apresentarei minha candidatura para o posto de presidente da Federação Russa, e não há melhor lugar ou oportunidade para apresentar minha candidatura do que aqui”, disse Putin. “Nosso país é feito de pessoas como vocês.”

Pela manhã, Putin participou de uma cerimônia para jovens russos, em Moscou. Ali, diante de um público com centenas de jovens, perguntou: “Vocês aprovam a minha presidência? Vocês me apoiariam em uma reeleição?” Diante do coro de “sim” em uníssono, Putin ainda fez mistério, e disse: “Quando tomar a decisão, saibam que levarei em conta essa reação”, afirmou à rede russa RT.

“A Rússia continuará avançando, e ninguém conseguirá parar este movimento para a frente”, disse ele, no que pode ser um sinal inicial de que a campanha invocará a retórica nacionalista de uma Rússia enfrentando um Ocidente hostil. As sanções ocidentais e a decisão do Comitê Olímpico Internacional, nesta semana, de proibir a equipe russa de participar dos Jogos de Inverno de 2018, provavelmente serão usados para impulsionar a mensagem de campanha de Putin.

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Favoritismo. Segundo uma pesquisa da agência independente Levada, realizada em agosto, a aprovação de Putin na presidência é de 83%, enquanto os números para Dmitri Medvedev, atual primeiro-ministro, ficam na casa de 48%. Os parlamentares em atividade em Moscou têm 57% de rejeição. 

Putin vai enfrentar pequena concorrência e quase nenhuma ameaça, com os outros candidatos sendo velhos personagens, com pouca capacidade política de desafiar um homem no poder há tanto tempo. 

O principal opositor do Kremlin, Alexi Navalny, reagiu no Twitter, ironizando a longevidade política do presidente. Navalny é um dos poucos políticos que de fato vêm organizando uma campanha, com escritórios espalhados pelo país, segundo o jornal britânico The Guardian. 

Navalny é considerado inelegível por ter sido condenado a 5 anos de prisão por improbidade administrativa, além de ter outras condenações por fomentar protestos. Navalny afirma que as condenações são um plano de Putin para impedir sua candidatura. Outra possível adversária de Putin é Ksenia Sobchak, uma socialite e estrela de TV ligada à oposição, considerada por muitos uma “caricatura de candidata liberal”.

A eleição na Rússia está marcada para 18 de março, dia que coincide com o aniversário da anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014. / REUTERS, EFE e AFP

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