REUTERS/Jorge Silva
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Washington Post publica editorial crítico ao governo de Nicolás Maduro

Jornal disse que situação da Venezuela requer intervenção política por parte dos países do continente, e qualifica de ‘sem sentido’ a medida de Maduro de reduzir jornada semanal de trabalho dos funcionários públicos

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2016 | 08h17

WASHINGTON - O jornal americano The Washington Post dedicou na terça-feira um duro editorial ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela, no qual garantiu que a situação da nação sul-americana requer, de maneira "desesperada", a intervenção política por parte dos outros países do continente.

No texto, intitulado "A Venezuela precisa desesperadamente de uma intervenção política", o jornal apela à Carta Democrática Interamericana aprovada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) como mecanismo para proteger a democracia na região.

O editorial é bastante duro com o regime bolivariano, o qual acusa de ter "enchido ilegalmente" a Corte Suprema de Justiça com seus simpatizantes e responsabiliza diretamente o governo por deixar a Venezuela muito perto de um "colapso calamitoso" no qual faltam "comida e remédios básicos".

"O governo está prestes a entrar em descumprimento de pagamentos. Os cortes importantes de água e eletricidade se multiplicaram nas últimas semanas. A inflação está em três dígitos e a violência está disparando", diz o Washington Post sobre a situação na Venezuela.

A publicação ainda qualifica a medida do governo de Maduro de reduzir para quatro dias a jornada semanal de trabalho dos funcionários públicos de "sem sentido" e o acusa de ter iniciado uma guerra com a Assembleia Nacional (de maioria opositora) "apesar do aumento do sofrimento dos venezuelanos".

O editorial também critica o fato de a Corte Suprema ter retirado os poderes constitucionais da Assembleia Nacional, derrubando cada medida aprovada, e menciona como exemplo a Lei da Anistia que colocaria em liberdade 76 ativistas da oposição.

Segundo o Washington Post, a recusa da Corte em libertar os presos, entre os quais menciona o caso de Leopoldo López, foi "ridícula" do ponto de vista legal.

Apesar de pedir intervenção externa, o jornal lamentou o fato de os líderes regionais "estarem distraídos" com o Brasil, "que vive sua própria crise política", e também pelo governo dos EUA, dirigido por Barack Obama, estar mais "preocupado com seus compromissos com Cuba".

"Enquanto a Casa Branca corteja os Castro, estes usam seu controle sobre a inteligência e as forças de segurança venezuelanas, e seu cúmplice Maduro, para fomentar suas táticas suicidas. Provavelmente, não vai demorar muito para acontecer uma explosão", conclui o editorial. /EFE

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