Yulia Skripal/Facebook via AP
Yulia Skripal/Facebook via AP

Filha de ex-espião envenenado rejeita assistência consular da embaixada russa e Moscou desconfia

Autoria da declaração foi questionada pelos russos, que acusam as autoridades britânicas de sequestrarem Yulia Skripal; para chefe da agência de espionagem britânica, ataque mostra 'o quão imprudente a Rússia está preparada para ser'

O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 04h15
Atualizado 12 Abril 2018 | 10h00

LONDRES – Yulia Skripal, filha do ex-espião russo Serguei Skripal, rejeitou assistência consular da embaixada russa, declarou a polícia britânica na quarta-feira 11 em um comunicado expedido em nome dela. A mulher, de 33 anos, foi encontrada inconsciente junto ao pai após sofrer um ataque com agente neurotóxico.

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Segundo a polícia britânica, Yulia diz que ainda sofre com as sequelas do agente neurotóxico e que o pai permanece internado em estado grave. “Eu tenho acesso aos meus amigos e parentes, e tenho conhecimento dos contatos da embaixada russa, que gentilmente me ofereceu ajuda em todas as formas possíveis”, escreveu ela, segundo a polícia. “No momento, não precisarei desses serviços, mas, se mudar de ideia, sei como entrar em contato.”

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A autoria da declaração foi questionada pela embaixada russa em Londres, que acusa as autoridades britânicas de sequestrarem a filha do ex-espião. “O texto foi escrito de forma a apoiar as declarações feitas pelas autoridades britânicas e, ao mesmo tempo, excluir todas as possibilidades de contato de Yulia com o mundo exterior”, acusou a embaixada russa em um comunicado à imprensa.

A representação de Moscou já entrou com vários pedidos de acesso consular ao local em que Yulia está. “O documento apenas reforça as suspeitas de que estamos lidando com o isolamento forçado de um cidadão russo”, diz a embaixada.

Yulia Skripal recebeu alta do Hospital do Distrito de Salisbury na segunda-feira e atualmente se encontra em uma localização segura do governo britânico. Os Skripal foram encontrados inconscientes no dia 4 de março em um banco em uma rua de Salisbury, cidade do sudoeste da Inglaterra, depois de serem expostos a um gás neurotóxico, ação que Londres atribui a Moscou. Yulia visitava o pai quando o ataque foi registrado.

Investigações

Exames realizados por quatro laboratórios afiliados ao órgão de monitoramento global de armas químicas confirmaram as descobertas do Reino Unido sobre o agente neurotóxico usado no ataque registrado em março contra um ex-espião russo, apontou um resumo das conclusões publicado nesta quinta-feira, 12.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse em meados de março que Yulia e Serguei Skripal haviam sido envenenados com um agente neurotóxico de tipo militar do grupo de venenos Novichok, desenvolvido pela União Soviética nas décadas de 1970 e 1980.

O envenenamento mostra “o quão imprudente a Rússia está preparada a ser”, disse o chefe da agência de espionagem britânica GCHQ, em ataque contundente ao Kremlin. Em seu primeiro discurso público desde que assumiu o órgão, Jeremy Fleming afirmou que o envenenamento dos Skripal demonstrou o comportamento “inaceitável” da Rússia.

“Vocês já ouviram, e eu vou repetir, o ataque contra Serguei e Yulia Skripal em Salisbury foi a primeira vez em que um agente neurotóxico foi utilizado na Europa desde a 2.ª Guerra”, disse Fleming durante uma conferência em Manchester. “Isso é sério. Demonstra o quão imprudente a Rússia está preparada a ser, quão pouco o Kremlin se importa com a ordem internacional com base em regras.” / REUTERS e AFP

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