Zelaya inicia ofensiva pela América do Sul

Hondurenho deposto vai ao Equador, Venezuela e Argentina em defesa do 'retorno da democracia' a Tegucigalpa

, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2010 | 00h00

QUITO

O ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya iniciou ontem no Equador um giro pela América do Sul em nome da "volta da democracia e da reconciliação nacional" em Honduras. Depois de Quito, Zelaya segue para Caracas e Buenos Aires.

O presidente do Equador, Rafael Correa, recebeu do antigo mandatário hondurenho um documento com reivindicações. A declaração, prometeu Correa, seria encaminhada a países da América do Sul. Entre as medidas defendidas pelo hondurenho está a demissão de todos os funcionários públicos contratados desde o golpe de 28 de junho, além da "separação dos poderes".

"Queremos também o fim do sectarismo e da perseguição política da qual somos vítimas", afirmou o presidente, que passou seis meses na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Rejeição. O governo de Porfírio Lobo, eleito em novembro, enfrenta dificuldade para ser novamente aceito no sistema interamericano. Na semana passada, países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) - incluindo o Brasil - ameaçaram boicotar a cúpula União Europeia-América Latina em Madri porque o nome de Lobo constava na lista de convidados.

Ontem o Equador agradeceu a decisão da Espanha de retirar o presidente de Honduras dos principais eventos da cúpula. Lobo apenas participará de um encontro entre países da América Central e Europa. "Queremos reafirmar nosso agradecimento pela sensibilidade do governo espanhol, que resolveu essa dificuldade", disse o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño.

A maior parte dos países da América do Sul - entre eles Brasil, Chile, Argentina, Equador e Venezuela - rejeita normalizar as relações com Tegucigalpa. Eles argumentam que Lobo foi eleito sob um regime de facto e, portanto, não teria legitimidade. Do outro lado, a maioria dos países centro-americanos - incluindo governos de esquerda como de El Salvador e Nicarágua - já retomaram laços com Tegucigalpa. / FRANCE PRESSE

A POSIÇÃO DO BRASIL

País não aceita líder eleito após golpe

O Itamaraty não reconhece Porfírio "Pepe" Lobo presidente de Honduras, já que ele foi eleito sob um governo de facto, instaurado após um golpe de Estado. Críticos, porém, apontam que Lobo não teve participação no golpe - embora fosse da oposição a Zelaya, ele condenou a ação - e já era candidato antes da destituição. O Brasil diz aguardar uma solução regional para o impasse.

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