REUTERS/A.J. Loveridge/
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Zimbábue não solicitará extradição de americano que matou o leão Cecil

Ministra disse que os documentos de Walter Palmer estavam em ordem e que ele pode voltar ao país como turista

O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2015 | 11h39

HARARE - O governo do Zimbábue declarou na segunda-feira que não solicitará a extradição do dentista americano Walter Palmer por ter matado Cecil, o leão mais famoso do país africano.

A ministra do Meio Ambiente, Oppah Muchinguri-Kashiri, anunciou ontem que o Zimbábue não pedirá a extradição do americano porque seus documentos estavam "regulares" quando participou do safári no qual matou Cecil, usando primeiro um arco e flecha e depois uma espingarda.

"Os documentos estavam em ordem. O problema agora é interno", admitiu a ministra em declarações aos jornalistas em Harare. Palmer está livre para voltar ao Zimbábue "como turista", já que não será acusado da morte do leão, líder de sua manada e um dos preferidos dos turistas. Acompanhando por um conselheiro, Palmer não quis comentar a decisão.

O felino levava um colar com um dispositivo que lhe permitia ser rastreado via satélite por cientistas da Universidade de Oxford no momento em que foi abatido. Ele foi atraído com uma presa para fora do parque natural, onde sua caça teria sido ilegal.

A morte de Cecil, que deixou seis filhotes, causou comoção internacional e levou o governo zimbabuano a solicitar a extradição de Palmer, que vive em Minnesota, nos Estados Unidos, para ser julgado por caça ilegal, já que o leão foi atraído para fora do parque nacional de Hwange.

Palmer se desculpou em julho pela caça de Cecil, mas responsabilizou o caçador zimbabuano que organizou a caçada, Theo Bronkhorst.

Bronkhorst comparecerá ao tribunal na quinta-feira em Hwange, com a esperança de que seu caso seja arquivado após a declaração da ministra, informou sua advogada, Perpetua Dube.

"Poderia ter um impacto também em nosso caso. Se a caça de Palmer não foi ilegal, então deve entender-se que Bronkhorst não pode ter organizado uma caça ilegal", especificou Dube.

O especialista em felinos Alan Rabinowitz, diretor-executivo da organização para conservação de felinos Panthera, com sede em Nova York, disse que “a proibição deve ser levantada” para qualquer caça legal de felinos selvagens porque as populações de leões estão se reduzindo em diversas partes da África”.

“O assassinato do leão Cecil é, infelizmente, um caso em que houve um ataque humano a esses animais majestosos, mesmo onde eles deveriam estar protegidos”, disse Rabinowitz. /EFE e ASSOCIATED PRESS

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