Walter Thompson-Hernández/The New York Times
Walter Thompson-Hernández/The New York Times

Cowboys combatem estereótipos da cultura negra na Califórnia

Um dos objetivos dos Compton Cowboys é marcar presença no circuito de rodeio, predominantemente branco

Walter Thompson-Hernández, The New York Times

15 Abril 2018 | 11h00

Ao caminhar até a loja da esquina para comprar refrigerante em sua cidade natal, Compton, Califórnia, Anthony Harris, de 35 anos, sempre corre o risco de ser parado e revistado pela polícia. Mas, quando Harris e outros integrantes de um grupo de cavaleiros conhecido como “Compton Cowboys” escolhem ir à loja montando seus cavalos, algo totalmente diferente acontece.

“Eles não param nem revistam a gente quando estamos a cavalo”, disse Harris. “Eles pensariam que éramos membros de gangues e tínhamos armas ou drogas com a gente se não estivéssemos cavalgando, mas esses cavalos protegem a gente de tudo isso”.

Os Compton Cowboys são dez amigos de infância que formaram o grupo em 2017, com a missão de combater estereótipos negativos sobre negros americanos e a cidade de Compton por meio de cavalgadas.

O grupo se reuniu pela primeira vez mais de 20 anos atrás, como membros do Compton Jr. Posse, uma organização sem fins lucrativos fundada por Mayisha Akbar em Richland Farms, uma região semirrural de Compton. O Compton Jr. Posse e os Compton Cowboys dependem de doações, benefícios do governo e apoio local para arcar com os custos dos cavalos no rancho.

A maioria dos Compton Cowboys é incentivada a se juntar à organização por amigos ou parentes que acreditam que andar a cavalo pode ser uma alternativa às gangues e à violência.

“Quando eu tinha 11 anos, vi um homem negro dando banho em seus cavalos na frente de sua casa”, afirmou Charles Harris, de 29 anos. O homem contou a ele sobre o Compton Jr. Posse. No dia seguinte, Harris se tornou membro.

Para os Compton Cowboys, viver em uma comunidade mais conhecida pelo grupo de rap N.W.A. e pelas altas taxas de homicídio é um fator de motivação. “Sempre quisemos mostrar às pessoas um lado diferente de Compton, além do gangsta rap e do basquete”, afirmou Leighton BeReal, 28 anos.

Manter os cavalos na propriedade em Richland Farms para cavalgadas ocasionais e competições requer um esforço coletivo. Um dia de trabalho típico para Anthony Harris começa às 5h, com a limpeza dos estábulos. Outros integrantes do grupo, como Roy-Keenan Abercrombia, 26 anos, que trabalha como chef o dia inteiro em Los Angeles, ajudam no rancho nos dias de folga.

Marcar presença no circuito de rodeios no oeste americano, predominantemente branco, é mais um objetivo do grupo.  

Um cavalo comum pode custar até US$ 50 mil, mas os Compton Cowboys compram animais que foram vítimas de abuso por cerca de US$ 200 em leilões.

Combater o estereótipo de que negros americanos não andam a cavalo é um tema importante para o grupo, particularmente porque isso é omitido na mídia em filmes e livros.

“Queremos que as pessoas também pensem na gente quando pensam em cowboys - e não apenas em um bando de caras brancos com chapéus de cowboy fumando cigarros Marlboro”, afirmou Randy Hook, de 28 anos, também membro. 

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