Michelle Gustafson/The New York Times
Michelle Gustafson/The New York Times

Empresas produzem drones que oferecem cobertura para celulares em desastres

Novos aparelhos prometem fornecer serviço de telefonia em áreas inóspitas

Christine Negroni, The New York Times

17 Abril 2018 | 10h15

A polícia e as equipes de emergência há alguns anos usam drones para dispor de um olho no céu. Mas os veículos não tripulados logo poderão oferecer também um ouvido.

Duas das maiores companhias de telefonia móvel nos Estados Unidos estão avaliando a utilização de drones como pontos de acesso para proporcionar serviços telefônicos e de outra natureza quando as torres de celulares ficam debaixo d’água ou em áreas em que tais serviços inexistem.

“Depois do furacão Sandy, por vários dias perdemos o serviço de celular para todo o país”, disse Martin Pagliughi, o diretor do Departamento de Gerenciamento de Emergências do Condado de Cape May, em Nova Jersey.

Recentemente, equipes de vários serviços de emergência de Cape May reuniram-se no aeroporto municipal de Woodbine, Nova Jersey, para assistir ao lançamento de um drone de 90 quilogramas da Verizon. Quando o engenho alcançou uma altitude de 915 metros, um ponto de acesso a bordo começou a transmitir um sinal sem fios. Em terra, agentes da polícia verificaram a potência do serviço nos telefones da Verizon que carregavam.

“Eles testaram mensagens de texto e mensagens de voz, e conseguiram total cobertura em todo aquele raio”, disse Pagliughi.

A Verizon tenta determinar como um ponto de acesso 4G LTE portátil pode funcionar em terra em uma área “em que um desastre inutilizou um serviço da companhia, e onde não há nenhuma outra maneira de conseguir cobertura de celular para o local”, informou Christopher Desmond, o engenheiro-chefe da companhia. O teste em Cape May confirmou a viabilidade do conceito, acrescentou.

Em 2017, a AT&T obteve um contrato de US$ 7 bilhões do governo federal para a construção de uma rede de prontidão em caso de desastres para todo o país chamada FirstNet. Partes do programa incluirão a tecnologia necessária para fornecer serviço de celular do céu. Quando o furacão Harvey atingiu Houston, e o furacão Maria castigou Porto Rico, a AT&T usou os seus pontos de acesso móveis enviados para os locais e ergueu postes para fornecer serviço de celular.

A companhia também pode lançar um drone que fica pairando no ar com quatro rotores, chamado Celular de Asas, preso a cabos terrestres para intercâmbio de dados e energia. A Verizon ainda pesquisa outras maneiras possíveis de utilizar os drones.

“Nós percebemos a capacidade do aparelho de carregar uma câmera para coligir dados fotográficos e transmiti-los ao solo”, possibilitando toda a visão da cena, disse Desmond, e também a um centro de comando. Isto permitiria uma maior colaboração entre os que se encontram dentro e fora da zona do desastre.

O Condado de Cape May tem um certificado especial que o isenta das regulamentações da Administração da Aviação Federal que limitam os voos de drones nas horas diurnas e abaixo dos 120 metros. A isenção permite voos de teste até os 2.100 metros.

A maior parte do espaço aéreo aprovado de 2.070 quilômetros quadrados fica sobre a água ou territórios não urbanizados que não têm serviço de celular, o que torna a área ideal para testar pontos de celulares em voo.

O avião não tripulado com sua envergadura de cinco metros é muito maior do que o drone de um amador. Ele não paira, não voa com baterias, mas tem um motor a gasolina que lhe permite voar por 16 horas, enquanto produz 400 watts  de energia - o suficiente para controlar o avião e atender às necessidades elétricas de um ponto de acesso para comunicações, de uma câmera e de outros equipamentos a bordo.

“É um veículo único, uma maneira única de carregar sensores com uma assiduidade que não se pode obter de uma aeronave tripulada”, disse David Yoel, fundador e diretor executivo da American Aerospace, a companhia proprietária do drone, que o opera para a Verizon.

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