Hogarth Press
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Galerias na Inglaterra realizam mostras de grandes nomes da literatura

Obras de Virginia Woolfe e T.S.Eliot são temas de exposições que evocam a jornada desses grandes escritores

Hettie Judah, The New York Times

30 Março 2018 | 15h30

MARGATE, INGLATERRA - Nas extremidades leste e oeste da costa da Inglaterra, nesta primavera, as galerias de arte celebram a vida e a obra de dois gigantes do modernismo britânico. Mas os artistas que se encontram no centro destas exposições não são pintores e nem escultores - são os escritores T.S.Eliot e Virginia Woolf.

Suas obras literárias são os pontos de partida destas mostras que nos levam a explorar a relação entre o ser e a natureza, bem como as dramáticas revoluções sociais da época dos autores.

A cidade de Margate se localiza na borda mais externa do estuário onde o Rio Tâmisa encontra o Mar do Norte. Aqui, em 1921, Eliot, que viera a esta cidadezinha por ordem do médico depois de um colapso nervoso, observava o Canal da Mancha enquanto trabalhava em “The Waste Land”.

“Jornadas com ‘The Waste Land’”, na galeria Margate's Turner Contemporary, reúne obras de arte que têm a ver com os temas do poema, bem como obras nele inspiradas. “É muito interessante analisar um poema em contraposição a uma carreira”, disse o curador, Mike Tooby.

O resultado é uma exposição idiossincrática, mas evocativa em que um quadro com uma paisagem noturna de Edward Hopper está pendurado ao lado de um trabalho em vídeo agridoce, de John Smith, em que o artista recita um trecho do poema nos banheiros de um pub londrino.

A apresentação da mostra na Turner Contemporary, que olha diretamente para o mar, empresta mais emoção aos motivos “afogamento, viagens e naufrágios” do poema, disse Tooby.

A oito horas de distância de trem, Tate St. Ives está empoleirada no dedo da Cornualha que se projeta no Atlântico. Virginia Woolf costumava passar dias com a família em sua casa de férias, Talland House, em St. Ives, até ela fazer 13 anos, e retornar à cidade já adulta.

“Virginia Woolf: Uma exposição inspirada em seus escritos” traz a obra de mulheres artistas dos últimos 100 anos, divididas em temas relacionados aos escritos de Virginia: as paisagens, a esfera doméstica, a identidade pública e privada. Os quadros da irmã de Virginia, Vanessa Bell, estão expostos ao lado das obras de artistas que vieram depois dela. Como as performances surrealistas de Claude Cahun para a câmera, as pinturas carnudas e sensuais da natureza de Ithell Colquoun, e audaciosas paisagens e retratos da pintora Hannah Gluckstein, conhecida como Gluck.

“Ao farol”, de Virginia, publicado em 1927, é a referência literária mais significativa da mostra. Embora o romance seja ambientado em uma ilha da Escócia, Virginia se inspirou em Talland House e na costa adjacente.

As mostras de Margate e St. Ives coincidem com o 100º aniversário do fim da Primeira Guerra Mundial, conflito que constitui um contexto essencial para “Ao farol”, que retrata seu impacto devastador e transformador para uma família - e para “The Waste Land”.

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