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60 crianças morrem em hospital indiano por falta de bombas de oxigênio

Autoridades locais e do hospital não teriam pago contas em dia, cortando o fornecimento de galões

O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2017 | 10h53

Pelo menos 60 bebês faleceram nos últimos cinco dias no hospital público Baba Raghav Das, do distrito de Gorakhpur, no estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, de acordo com novo balanço divulgado neste sábado, 12, por autoridades locais. A imprensa local atribui as mortes à falta de reservas de oxigênio na ala infantil no centro médico. 

"Abrimos uma investigação e publicaremos hoje (sábado) um informe preliminar. Sim, 60 pacientes morreram no hospital nos últimos cinco dias, mas não cremos que esteja relacionado com a informações sobre a escassez de oxigênio", declarou à agência AFP Anil Kumar, responsável pela polícia de Gorakhpur. 

De acordo com diversos veículos de comunicação indianos, dezenas de bebês morreram entre quinta, 10, e sexta-feira, 11, depois que a empresa provedora de bombas de oxigênio deixou de entregá-las, aparentemente pela falta de pagamento de faturas de milhões de rupias. 

Parmatma Gautam, cujo sobrinho de um mês, Roshan, morreu quando o suprimento de oxigênio parou, disse que as autoridades do hospital e do distrito estavam tentando abafar a inadimplência das contas. 

"Nós vimos nosso bebê lutando para respirar e não podíamos fazer nada", falou Gautam, enquanto chorava. 

Moradora do vilarejo vizinho de Siddharthnagar, a família correu com o recém-nascido para o hospital no dia 9 de agosto após o bebê ter febre alta. "Agora voltamos com o corpo dele."

As autoridades estão investigando as falhas no hospital Baba Raghav Das, do distrito de Gorakhpur, no estado de Uttar Pradesh, o mais populoso de todo país, governado pelo partido conservador Bharatiya Janata Party (Partido do Povo Indiano), o mesmo do primeiro ministro Narendra Modi. 

Segundo um comunicado publicado pelo escritório do ministro-chefe de Uttar Pradesh, Yogi Adityanath, que ordenou a investigação, as 60 mortes ocorreram em um período de cinco dias, a partir de segunda-feira, 7. 

De acordo com o texto, 23 bebês morreram na quinta-feira, 10, quando "a pressão da alimentação de oxigênio baixou". 

O ministro da saúde de Uttar Pradesh, Sidharth Nath Singh, suspendeu o diretor do hospital até que se conheça o resultado da investigação. "Havia várias causas interrupção no fornecimento de oxigênio, mas nossa pesquisa mostra que ninguém foi morto por causa disso", disse o ministro após visita ao hospital.

Neste sábado, o jornal The Hindustan Times descreveu cenas de pânico no hospital quando a administração de oxigênio foi alterada. "Ainda que 90 grandes bombas tenham sido entregues, na sexta, o hospital ficou sem oxigênio em uma hora", publicou o diário. 

"Isso provocou caos total, com os pais dos pacientes correndo para obter ajuda e o pessoal do hospital tentando manter a alimentação de oxigênio com bolsas manuais de respiração", concluiu o jornal. 

O hospitais públicos indianos estão sobrecarregados e próximos do limite. Os pacientes têm que suportar longas listas de espera, mesmo para intervenções simples e, às vezes, se vêm obrigados a compartilhar camas. / AFP e AP

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