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Após declaração de califado, tropas iraquianas tentam retomar cidade no norte

OLIVER HOLMES E ISRAA E AL-RUBEII - REUTERS

30 Junho 2014 | 12h 26

Tropas do Iraque batalhavam para expulsar um grupo dissidente da al Qaeda da cidade de Tikrit nesta segunda-feira, após o líder rebelde ter se declarado califa de um novo Estado islâmico nas terras conquistadas neste mês em uma grande área do Iraque e da Síria.

Preocupando potências regionais e mundiais, o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) reivindicou a autoridade universal ao abandonar a referência regional do seu nome, passando a denominar-se apenas Estado islâmico. O grupo anunciou que seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, é agora califa do mundo Islâmico - um título medieval reconhecido amplamente pela última vez como sendo o do sultão do império otomano, deposto há 90 anos, após a Primeira Guerra Mundial.

“Ele é o imã e o califa para os muçulmanos em todos os lugares”, disse o porta-voz do grupo, Abu Muhammad al-Adnani, em um pronunciamento online no domingo, utilizando títulos que possuem poder religioso e civil. A declaração foi feita no começo do mês sagrado do Ramadã.

A medida, anunciada depois de três semanas de conquistas territoriais dos militantes do EIIL e aliados da minoria sunita iraquiana, tem como objetivo eliminar as fronteiras internacionais traçadas por potências colonialistas e desafiar o governo de Bagdá, liderado por xiitas e apoiado pelos Estados Unidos e Irã.

O caso também representa um desafio direto para a liderança da al Qaeda em nível mundial, já que renegou o grupo, e também para os mandatários sunitas dos países do Golfo Pérsico que já veem o grupo como uma ameaça à sua segurança.

O governo iraquiano apelou por ajuda internacional e acusou os vizinhos sunitas, notavelmente a Arábia Saudita, de terem ajudado a militância islâmica na Síria e no Iraque. O porta-voz do Exército iraquiano, Qassim Atta, disse que declarar um califado poderia ser um tiro no pé para o grupo, pois isso mostra que é um risco para outros países.

“Essa declaração é uma mensagem de um Estado Islâmico não apenas para o Iraque e a Síria, mas para toda a região e para o mundo. A mensagem é que o Estado islâmico tornou-se uma ameaça a todos os países”, disse, “e eu acredito que todos os países, uma vez que leiam a declaração, mudem suas atitudes em relação a isso, por ela ordenar a lealdade de todos”.

Combatentes do grupo tomaram em 12 de junho a cidade de Mosul, norte do país, e vêm avançando em direção a Bagdá, o que levou os EUA a enviar conselheiros militares ao Iraque. Na Síria, o EIIL tomou território no norte e no leste, junto à desértica fronteira com o Iraque.

O governo do primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, com a ajuda de milícias sectárias xiitas, tem conseguido impedir os militantes de chegar à capital, mas as forças de segurança iraquiana não foram capazes de retomar as cidades que elas mesmos abandonaram no confronto.

O Exército tentou, na semana passada, retomar Tikirt, mas não conseguiu. Helicópteros atingiram posições do Estado Islâmico durante a cidade pela noite. No limite sul de Tikrit, uma batalha irrompeu nesta segunda-feira, de acordo com residentes.

(Reportagem adicional de Sylvia Westall em Beirute, Stephen Kalin no Cairo, William Maclean em Dubai e Tom Henegen em Paris)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))

REUTERS MTS