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Brasil quer evitar guerra de declarações sobre condenada à morte com Irã

Leonêncio Nossa - O Estado de S. Paulo - Leonêncio Nossa - O Estado de S. Paulo

04 Agosto 2010 | 16h 44

Segundo assessor de Lula, medida deve evitar que situação não seja ainda mais prejudicada

O assessor de Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, disse nesta quarta-feira, 4, que o governo evitará "guerra de declarações" com autoridades iranianas para garantir que a situação de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por adultério, não seja ainda mais prejudicada. A declaração de Garcia foi dada em entrevista no Itamaraty após almoço oferecido pelo presidente Lula ao presidente de Camarões, Paul Biya.

Veja também:

link Lula reitera oferta, mas diz que não ofereceu asilo

Em comício em Curitiba na semana passada, Lula ofereceu refúgio para a iraniana. Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã respondeu que Lula era emotivo.

Na entrevista de hoje, Marco Aurélio relatou que antes dessa proposta de Lula feita em público, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia conversado três semanas antes com autoridades iranianas tendo manifestado a preocupação do governo brasileiro com a situação da mulher iraniana.

Marco Aurélio Garcia disse que o caso não prejudica as relações diplomáticas com o Irã. "Obviamente não vai mudar de jeito nenhum. Não tem razão para mudar".

Sakineh foi condenada por ter 'relações ilícitas' com dois homens após a morte do marido. Seu advogado, que foi intimidado pelas autoridades iranianas após divulgar o caso na internet, está na Turquia à espera de asilo diplomático.

Ontem, o Irã sinalizou que não deve aceitar a oferta brasileira e alegou que o presidente Lula fez o apelo por não conhecer o caso.

"Até onde sabemos, Lula é uma pessoa muito humana e emotiva, que provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso", disse o porta-voz da chancelaria iraniana Ramin Mehmanparast.

"Podemos dar detalhes dos crimes dessa pessoa que foi condenada e, então, acho que o caso ficará esclarecido para ele."