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Candidatos presidenciais afegãos fazem pacto de união para tranquilizar Otan

PHIL STEWART E SANJEEV MIGLANI - REUTERS

04 Setembro 2014 | 20h 39

Os candidatos presidenciais rivais do Afeganistão prometeram aos líderes da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta quinta-feira que irão formar um governo de união nacional e assinar acordos legais permitindo a permanência de tropas estrangeiras no ano que vem.

A mensagem transmitida por Ashraf Ghani e Abdullah Abdullah na cúpula da Otan teve por fim tranquilizar os aliados, temerosos de que um impasse demorado sobre o resultado da eleição presidencial possa forçar a Otan a retirar todos os seus soldados do Afeganistão ainda este ano.

Os políticos adversários declararam estar totalmente comprometidos a assinar dois acordos a respeito da situação das forças estrangeiras que permitirão à Otan permanecer e treinar e aconselhar o Exército afegão após o fim de suas operações de combate, em dezembro.

“Acreditamos em uma visão política inclusiva. Formaremos um governo de união nacional e honraremos a participação de nosso povo no processo político”, afirmaram os candidatos em uma mensagem lida em Cabul pelo assistente de Abdullah, Mahmoud Saiqal.

As conversas sobre um acordo de divisão de poder entre Ghani, vencedor da votação segundo uma contagem inicial, e Abdullah fracassaram na semana passada, reacendendo os temores de um conflito étnico por conta das alegações de fraude na eleição.

Dias antes, a equipe de Abdullah se retirou de uma auditoria dos votos do segundo turno de 14 de junho realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), dizendo estar insatisfeita com a maneira como a entidade estava lidando com os votos fraudulentos.

O tumulto político criou o pior cenário possível para a cúpula da Otan, na qual se anunciou o final de mais de uma década de operações de combate inconclusivas contra os militantes do Taliban.

Para piorar o clima geral de incerteza, surgiram relatos de que um coronel do Exército afegão pediu asilo assim que chegou à Grã-Bretanha, na terça-feira.

Indagado pela Reuters em uma coletiva de imprensa, o ministro da Defesa do Afeganistão, Bismillah Khan Mohammadi, negou que o militar viajava com sua delegação para a cúpula.

A Otan esperava que um novo presidente tivesse tomado posse a tempo para a reunião da entidade, o que lhe permitiria comemorar a primeira transferência de poder democrática do país convidando o novo líder a dividir as atenções com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Mas o impasse com o desfecho da eleição levou o ministro da Defesa a assumir esse papel.

Ao longo dos últimos 13 anos, pelo menos 16 mil civis, quase 3.500 soldados estrangeiros e milhares de soldados e policiais afegãos foram mortos.

Hamid Karzai, o presidente em fim de mandato, recusou-se a assinar os acordos que regulamentam a presença das forças internacionais no país, e diplomatas da Otan dizem que terão que decidir sobre uma retirada completa dentro de um mês, a menos que o novo mandatário tome posse até lá e firme os documentos.

Os aliados da Otan também renovaram seu compromisso de apoiar financeiramente as forças afegãs até o final de 2017. O país é muito dependente de doações estrangeiras para seu Exército e sua polícia, cujo contingente chega a 350 mil pessoas.

(Reportagem adicional de Kylie Maclellan)