Comissão eleitoral do Iraque suspende preparativos para eleição

Decisão foi tomada após vice-presidente vetar parte de lei sobre a vagas para iraquianos que vivem fora do país

Agência Estado, Associated Press e Reuters,

18 Novembro 2009 | 15h01

A comissão eleitoral do Iraque suspendeu todos os preparativos para eleições em janeiro, depois de o vice-presidente iraquiano ter vetado parte de uma lei eleitoral que abriu caminho para a votação, conforme revelou nesta quarta-feira, 18, um funcionário eleitoral.

 

"Em decorrência do veto, decidimos suspender todas nossas atividades e trabalho enquanto aguardamos uma lei final, com um decreto presidencial, que determine a data exata da eleição", disse Hamdiya al-Hussaini.

 

Segundo o vice-presidente, Tariq Hashemi, parte da lei foi vetada por não reservar vagas para iraquianos vivendo fora do país. Hashemi enviou o texto de volta ao Parlamento para que emendas sejam apresentadas no sentido de mais assentos serem escolhidos por iraquianos que vivem no exterior.

 

Hashemi especificou que todos os outros artigos da lei são satisfatórios e apenas aquele referente ao número de assentos votados por iraquianos no exterior voltará a ser debatido.

 

"Minha objeção não se refere à lei como um todo, mas somente ao primeiro artigo, com o objetivo de se fazer justiça aos iraquianos que moram fora do país", disse Hashemi a jornalistas. "Espero que o Parlamento vote em breve as propostas de emenda para que as eleições ocorram na data prevista", prosseguiu.

 

Ainda não está claro quando o Parlamento debaterá e votará as recomendações do vice-presidente nem qual será o impacto exato sobre a data da eleição. A Constituição iraquiana exige que o pleito se realize antes do fim de janeiro de 2010.

 

O adiamento, se ocorrer de fato, deve afetar os planos dos EUA de encerrar suas operações de combate no país no próximo ano, antes da retirada completa de suas forças prevista para o final de 2011.

 

A maior parte dos iraquianos no exterior é árabe sunita. Depois de controlar o país durante décadas sob Saddam Hussein, a minoria sunita do Iraque sentiu-se politicamente marginalizada depois da queda do ditador, em 2003. Os sunitas boicotaram a primeira eleição nacional pós-Saddam, realizada em janeiro de 2005, e o veto de Hashemi parece indicar que a comunidade teme ser novamente marginalizada agora.

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