Confrontos entre milícias no sul da Líbia deixam 50 mortos

Os confrontos entre milícias rivais no sul da Líbia chegaram ao centro da quarta maior cidade do país na terça-feira, apesar da mobilização de tropas do Exército para aplacar a violência que ao longo de três dias matou quase 50 pessoas.

REUTERS

27 Março 2012 | 15h38

Os conflitos jogam luz sobre os desafios enfrentados pelo governo para impor sua autoridade após a queda de Muammar Gaddafi.

Os confrontos entre os homens armados de Sabha e os combatentes do grupo étnico tibu chegaram ao centro de Sabha, a quarta maior cidade da Líbia, disse o médico Ibrahim Misbah, que trabalha no principal hospital local.

Uma autoridade do Ministério do Interior líbio disse que o Exército enviou 300 soldados estacionados no sul da Líbia para ajudar a acalmar a situação na segunda-feira. Outros 300 soldados deixaram Trípoli na terça-feira também para ajudar, acrescentou ele.

O combatente de Sabha Oweidat al-Hifnawi disse que as forças do governo chegaram a Sabha e estavam "no meio dos confrontos".

"Sabemos que eles estão aqui para tentar resolver o problema e não para brigar", afirmou ele. "Há relatos não confirmados de que eles se retiraram da cidade."

O Conselho Nacional de Transição (CNT), que governa o país, enfrenta dificuldades para impor sua autoridade pela Líbia, onde milícias e tribos rivais disputam o poder e recursos após a rebelião do ano passado que derrubou Gaddafi.

Dificultado pela ausência de um Exército nacional coeso, o CNT busca convencer a miríade de milícias que lutaram contra Gaddafi a baixar as armas e unir-se às forças armadas e à polícia.

Abdulmajid Saif al-Nasser, representante do CNT para Sabha, disse que estava renunciando em protesto porque, segundo ele, o conselho não estava fazendo o suficiente para acabar com a violência.

QUASE 50 MORTOS

Catorze pessoas morreram na terça-feira e 30 ficaram feridas, disse Misbah, dando os números do lado da cidade de Sabha. Cerca de 20 pessoas morreram no confronto até segunda, afirmou.

"A equipe do hospital tem trabalhado sem parar desde a noite de segunda-feira e os feridos continuam chegando", disse ele à Reuters.

Ali Galama, representante tibu no CNT de Murzuq, ao sul de Sabha, disse que 15 pessoas morreram do lado tibu e 18 ficaram feridas. Enquanto falava de Benghazi, disse que estava em contato com os tibu na área por telefone. "Não temos lugar para transferi-los. Não temos as instalações para cuidar deles."

O confronto começou no domingo entre os ex-combatentes rebeldes de Sabha e homens armados do grupo étnico tibu depois que um morador de Sabha foi morto em uma briga por causa de um carro.

(Por Taha Zargoun)

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