Egito acusa Irã de manipular árabes na crise na Faixa de Gaza

Chanceler egípcio diz que interesses iranianos estão por trás de críticas de parte do mundo árabe ao país

AP

30 Dezembro 2008 | 10h29

CAIRO - O ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, acusou o Irã de manipular setores do mundo árabe em interesse próprio desde o começo dos ataques de Israel à Faixa de Gaza, no último sábado. "Alguns partidos árabes são guiados por interesses do Irã, e tem agido em nome disto", disse o ministro em uma entrevista a um canal de televisão egípcio. Veja também:   Israel rejeita acordo e diz que esta é "primeira fase de várias" UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques    O Egito vem sendo acusado de colaborar com o bloqueio de Israel a Gaza e de dar sinal verde ao ataque aéreo. Aboul Gheit rebateu estas acusações e as qualificou de injustas. "As alegações são muitas, é óbvio que existe uma conspiração", disse.   O chanceler também criticou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que disse na segunda-feira que governos árabes deveriam ter retaliado Israel pelos ataques. "Ele diz isso como se milhares de iranianos tivessem derramado seu sangue nos últimos 30 anos pela causa palestina", disse o ministro, em uma referência às quatro guerras travadas pelo Egito contra Israel entre 1948 e 1978. Desde 1979, os dois países estão em paz.   Hezbollah   O ministro egípcio também criticou o grupo radical xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã e pela Síria. O líder da milícia, o xeque Nassan Nasrallah, conclamou na segunda-feira os egípcios a tomar as ruas do Cairo para protestar contra a colaboração egípcia com Israel. "Nasrallah é um homem que gosta de ser respeitado, mas ele insultou o povo egípcio", afirmou Aboul Gheit.   Conferência   Aboul Gheit ainda pediu calma e união no mundo árabe e defendeu o encontro de amanhã de ministros da Liga Árabe. "Precisamos de sabedoria para proteger a nação árabe diante de difíceis circunstâncias. Vamos nos concentrar nos trabalhos diplomáticos", pediu.

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