Hamad I Mohammed / Reuters
Hamad I Mohammed / Reuters

Emirados Árabes Unidos estariam por trás de ataque hacker contra Catar, diz jornal

De acordo com o 'Washington Post', episódio envolveu inclusão de falsas declarações de governante em sites de notícias e redes sociais; diplomatas dos emirados negam veracidade da reportagem e negam envolvimento de seu país no ataque cibernético

O Estado de S. Paulo

17 Julho 2017 | 05h42
Atualizado 17 Julho 2017 | 13h02

DOHA - Os Emirados Árabes Unidos (EAU) seriam os responsáveis pelo ataque hacker a sites e redes sociais do Catar, no final de maio, em um dos primeiros desdobramentos da crise entre os países árabes. A informação, citando informações de oficiais do governo dos Estados Unidos, foi revelada no domingo pelo jornal americano “The Washington Post”.

No ataque, falas atribuídas ao emir Tamim bin Hamad al-Thani, governante do Catar, teriam sido inseridas em sites e redes sociais. Thani teria supostamente afirmado que o Irã era uma “potência islâmica”, além de tecer elogios ao Hamas, grupo que age principalmente nos territórios palestinos e possui um braço terrorista.

Depois da divulgação da reportagem, o Catar disse acreditar nas informações das fontes americanas. "A informação publicada no Washington Post revelou o envolvimento dos Emirados Árabes Unidos e de autoridades graduadas árabes no ataque hacker da agência de notícias do Catar", disse o escritório de comunicação do governo catariano nesta segunda-feira, 17. A reportagem "inequivocamente prova que esse crime cibernético aconteceu", acrescentou.

O jornal também informou que oficiais americanos reavaliaram dados e descobriram que membros do alto escalão do governo dos Emirados Árabes Unidos discutiam os planos de um ataque hacker em 23 de maio, um dia antes da efetivação do plano. Não ficou claro se o governo de Abu Dhabi invadiu os sites ou se pagou para que tal ação fosse feita.

À época, Doha afirmou que as informações atribuídas ao Emir eram falsas. As explicações não convenceram os países árabes e serviram de base para que quatro nações - Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito - cortassem relações com o Catar no dia 5 de junho. Desde então, uma série de restrições econômicas e de trânsito de pessoas e transportes entre os países está em vigor.

O embaixador dos EAU nos Estados Unidos, Yousef al-Otaiba, negou a interferência em nota, chamando o relatório americano de “falso”. ”O que é verdadeiro é o comportamento do Catar. Financiando, apoiando e permitindo a ação de extremistas, do Taleban ao Hamas, incitando a violência e encorajando a radicalização, e minando a estabilidade de seus vizinhos”, afirmou o diplomata.

O ministro de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, disse nesta segunda que a reportagem do Washington Post é falsa e negou o envolvimento de seu país no ataque cibernético. / REUTERS

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