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Ex-chanceler Abdullah sai na frente na eleição presidencial afegã

Reuters

07 Abril 2014 | 17h 18

A apuração preliminar da eleição presidencial do Afeganistão mostra o ex-chanceler Abdullah Abdullah vencendo em partes de Cabul nesta segunda-feira, mas, como a contagem dos votos deve durar semanas, ainda é muito cedo para prever quem será o vencedor.

Os outros dois principais candidatos reclamaram de fraude na eleição de sábado, a qual irá levar à primeira transferência democrática de poder na história do Afeganistão, já que o atual presidente, Hamid Karzai, deixará o cargo depois de mais de 12 anos como chefe de Estado.

Caminhões cheios de urnas de plástico começaram chegar à capital, onde funcionários irão contar os votos de todo o Afeganistão, um país montanhoso com cerca de 30 milhões de habitantes.

Os Estados Unidos planejam retirar a maior parte de suas tropas até o fim de 2014 do país, por isso, quanto mais o Afeganistão esperar para a instalação de um novo líder, maior será o risco de instabilidade provocada pela insurgência do Taliban e pela rivalidade entre as facções, em um país dividido por linhas tribais e étnicas.

"Nós estamos tentando iniciar o processo o mais rápido possível", disse Noor Mohammad Noor, porta-voz da Comissão Eleitoral Independente, referindo-se à contagem. "É um longo processo... Vai levar tempo."

Se nenhum dos oito candidatos obtiver mais de 50 por cento dos votos, um segundo turno terá de ser realizado, na melhor das hipóteses, no fim de maio, prolongando consideravelmente o tempo de espera para a escolha do presidente.

Um giro pelas seções eleitorais de Cabul mostrou que Abdullah estava firme na liderança, confirmando a popularidade dele, um político de atitude cortês, ex-combatente da invasão soviética.

SEGUNDO TURNO

No entanto, embora não haja previsão de que resultados preliminares sejam divulgados antes de 24 de abril, parece cada vez mais provável que Abdullah vá para o segundo turno, enfrentando Ashraf Ghani, ex-funcionário do Banco Mundial que propõe um programa radical de reforma econômica.

Ex-ministro da Fazenda, Ghani deve obter boa votação no norte, já que seu companheiro de chapa, Abdul Rashid Dostum, da etnia uzbeque, é um ex-líder guerrilheiro que tem grande influência sobre boa parte da região.

De acordo com contagens preliminares informais de todo o país, o ex-ministro de Relações Exteriores Zalmai Rassoul pode chegar num distante terceiro lugar.

Acredita-se que ele tenha o apoio de Karzai e se saia melhor no sul, dominado pela etnia pashtun, uma área onde a família de Karzai reforçou a sua influência ao longo dos anos.

Numa ação que lembra a fraude em massa que marcou a eleição presidencial anterior, em 2009, as campanhas de Ghani e Rassoul disseram ter recebido denúncias de violações e informaram ter passado as reclamações aos encarregados das queixas na Comissão Eleitoral.

Líderes internacionais e afegãos elogiaram a votação de sábado e disseram que foi um sucesso por causa de uma participação maior do que o esperado - estimada em 60 por cento dos 12 milhões de eleitores-, bem como o fracasso do Taliban de perturbar significativamente o pleito.

Mas alguns temem que insurgentes estejam se preparando para interromper o longo processo de apuração dos votos e realizar ataques em todo o país, uma vez que as medidas de segurança foram flexibilizadas.

(Reportagem de Mirwais Harooni e Maria Golovnina)