Explosões no Iraque matam ao menos 52 e ferem 250

Mais de 30 bombas atingiram cidades e vilas em todo o Iraque nesta terça-feira, matando pelo menos 52 pessoas e ferindo cerca de 250, apesar de um forte esquema de segurança antes da cúpula da Liga Árabe na próxima semana, em Bagdá.

KAREEM RAHEEM E ASEEL KAMI, REUTERS

20 Março 2012 | 15h43

Trata-se do dia mais sangrento do Iraque em quase um mês, e o alcance das explosões coordenadas em mais de uma dúzia de cidades mostrou uma aparente determinação dos insurgentes de provar que o governo não pode manter o país seguro antes da cúpula.

O Iraque sediará o encontro pela primeira vez em 20 anos e o governo está ansioso para mostrar que pode manter a segurança após a retirada das tropas norte-americanas em dezembro.

"O objetivo dos ataques de hoje foi o de apresentar uma imagem negativa da situação da segurança no Iraque", disse o porta-voz do governo Ali al-Dabbagh à Reuters.

"Os esforços de segurança serão aumentados para neutralizar ataques de grupos terroristas e preencher brechas usadas por eles para infiltrar a segurança, seja em Bagdá ou em outras províncias."

O incidente com maior número de vítimas desta terça-feira ocorreu na cidade sagrada xiita muçulmana de Kerbala, ao sul, onde duas explosões mataram 13 pessoas e feriram 48 durante a hora do rush da manhã, de acordo com Jamal Mahdi, um porta-voz do Departamento de Saúde de Kerbala.

"A segunda explosão causou a maior destruição. Vi partes de corpos, dedos, mãos jogadas na estrada", contou o proprietário de uma loja Murtadha Ali Kadhim, de 23 anos, à Reuters.

"As forças de segurança são estúpidas porque eles sempre se reúnem no local de uma explosão e depois uma segunda explosão ocorre. Eles se tornam um alvo."

Explosões também atingiram a capital, Baiji, Baquba, Daquq, Dibis, Dhuluiya, Kirkuk, Mossul, Samarra, Tuz Khurmato e Dujail, ao norte, Falluja e Ramadi, a oeste, e Hilla, Latifiya, Mahmudiya e Mussayab, ao sul. A polícia desativou bombas em Baquba, Falluja e Mosul.

A maioria das explosões tinha como alvo postos policiais e patrulhas.

"Esta última onda de ataques muito provavelmente foi coordenada por um grupo grande e bem organizado. Provavelmente é uma tentativa de mostrar às autoridades que as suas medidas de segurança são insignificantes", disse John Drake, consultor sênior de risco do AKE Group, que estuda a segurança no Iraque para clientes corporativos.

Forças do Exército e da polícia são alvos frequentes no Iraque, onde atentados e tiroteios ainda ocorrem quase diariamente.

O braço da Al Qaeda no Iraque e grupos insurgentes ligados a sunitas muçulmanos dizem que, apesar da retirada das forças dos EUA, eles não vão baixar as armas e continuarão lutando contra o governo liderado pelos xiitas. Eles reivindicaram a responsabilidade por quase todos os grandes ataques até agora este ano.

Os ataques de terça-feira foram os maiores desde 23 de fevereiro, quando dezenas de explosões em todo o país mataram pelo menos 60 pessoas.

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