Hamas ainda discute com Israel presos a serem libertados

Partido palestino e Estado judeu discutem troca de prisioneiros por soldado Gilad Shalit, capturado em 2006

Agência Estado e Associated Press,

30 Novembro 2009 | 17h02

Funcionários graduados do Hamas disseram nesta segunda-feira, 30, que o grupo islâmico ainda disputa com Israel os nomes dos 50 prisioneiros que deseja serem libertados em troca de um soldado israelense mantido no cativeiro. Isso sinalizou que ainda existem brechas antes que um acordo seja fechado.

 

Na semana passada, funcionários de Israel e do Hamas falaram em progresso, aumentando a especulação de que um acordo poderia ser fechado em dias. O Hamas pede a libertação de 1.000 prisioneiros em troca do soldado israelense Gilad Schalit, sequestrado por militantes em 2006.

 

Funcionários do Hamas disseram que Israel ainda reluta em incluir líderes proeminentes do Hamas na troca. O funcionário falou sob anonimato, por causa da sensibilidade do acordo, mediado pela Alemanha.

 

No topo de contestada lista está Marwan Barghouti, um líder popular do movimento Fatah, rival do Hamas, que cumpre pena de prisão perpétua por causa do seu papel num ataque que deixou quatro civis israelenses e um monge grego mortos. Barghouti é visto como um possível sucessor do presidente palestino Mahmoud Abbas e Israel é cauteloso em libertá-lo.

 

Um mediador alemão esteve em Jerusalém nos últimos três meses, viajando regulamente a Gaza para discutir os termos do acordo, disse um funcionário do Hamas. Ele disse que além dos 50 nomes contestados, as duas partes ainda discutem a exigência israelense de que 130 dos presos libertados sejam imediatamente deportados para outros países após a libertação. O Hamas quer reduzir o número dos deportados.

 

Em Gaza, o ministro do Interior do Hamas, Fathi Hamad, disse que o grupo espera que o acordo esteja completo até 14 de dezembro, ou então até 27 de dezembro, o aniversário de um ano da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza. "Será a comemoração da libertação dos prisioneiros das cadeias da ocupação", disse.

 

Até agora Israel se negou a discutir o status das negociações. Em resposta a uma petição de um grupo de defesa das vítimas de ataques de militantes, o ministro da Justiça de Israel confirmou que um total de 980 presos palestinos poderão ser libertados. "Em princípio, existe a possibilidade de que 450 prisioneiros pedidos pelo Hamas sejam soltos. A libertação está sendo meticulosamente estudada de acordo com várias considerações e sob uma base de segurança nacional", disse o comunicado. "Em adição, haverá a libertação unilateral, como um gesto para o povo palestino, de outros 530 presos", disse o comunicado.

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