Ideia de Estado palestino terá que ser abandonada, diz Erekat

Palestinos podem ter que abandonar a meta de um Estado independente se Israel continuar com a expansão de seus assentamentos na Cisjordânia e se os Estados Unidos não agirem logo para impedi-lo, afirmou o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, na quarta-feira.

MOHAMMED ASSADI, REUTERS

04 Novembro 2009 | 15h26

Pode ser a hora de o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, "dizer ao seu povo a verdade, que com a continuação das atividades nos assentamentos, uma solução de dois Estados não é mais uma opção", disse Erekat em coletiva de imprensa.

Israel rejeita a ideia de uma anexação de fato da Cisjordânia ocupada, incorporando palestinos como seus cidadãos, argumentando que isso seria uma "bomba-relógio demográfica" que faria dos judeus uma minoria.

Citando o "mapa da paz" de 2003, Abbas fez do congelamento da expansão dos assentamentos israelenses uma precondição para o reinício das negociações com Israel.

O plano também prevê que palestinos desarmem grupos como o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, em um desafio direto ao mandato de Abbas.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que se reuniu com os líderes israelense e palestino no sábado, pediu em vão que Abbas negocie com Israel e resolva a questão dos assentamentos como parte das conversas.

Erekat disse que Hillary -- que elogiou uma oferta inédita de Netanyahu de restringir temporariamente a construção de 3.000 residências adicionais em colônias ilegais na Cisjordânia -- está apenas abrindo a porta para mais assentamentos nos próximos dois anos.

A alternativa deixada aos palestinos é "repensar a solução de um único Estado onde muçulmanos, cristãos e judeus possam viver lado a lado", disse Erekat. "É muito sério. Este é o momento da verdade para nós".

Erekat disse que o conceito de Benjamin Netanyahu de um Estado palestino independente ao lado de Israel, com poderes limitados de soberania, e sua posição sem compromissos sobre o futuro de Jerusalém são equivalentes a ditar os termos da paz.

Netanyahu disse ao Abbas "que Jerusalém será a capital eterna e indivisível de Israel, que (a questão dos) refugiados palestinos não será discutida, que nosso Estado será desmilitarizado, que teremos que reconhecer o Estado judeu, que o espaço aéreo será de controle deles. Isto é ditado e não negociação", disse Erekat.

Netanyahu e Abbas se encontraram pela última vez em Nova York em setembro, em uma reunião mediada pelo presidente Barack Obama.

Mais conteúdo sobre:
ORMED ISRAEL PALESTINO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.