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Irã não cede sobre número de centrífugas em diálogo nuclear

LOUIS CHARBONNEAU E PARISA HAFEZI - REUTERS

18 Junho 2014 | 21h 23

O Irã se recusa a reduzir significativamente a quantidade de centrífugas que pretende manter em operação para produzir combustível nuclear, o que dificulta imaginar um acordo nas negociações desta semana com seis potências, disseram nesta quarta-feira autoridades ocidentais e iranianas.

Os comentários de diplomatas próximos às negociações, que falaram sob condição de anonimato, foram feitos depois da primeira rodada de reuniões na capital austríaca entre Irã e Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha.

Os diplomatas ainda estão tentando alcançar um acordo que limite o programa nuclear do Irã, que o submeta a inspeções mais rigorosas da ONU, suspenda as sanções que afetam a economia do país --baseada nas exportações de petróleo-- e elimine o risco de uma guerra no Oriente Médio devido à disputa.

As duas partes continuam distantes sobre a abrangência futura e admissível de atividade nuclear iraniana, enquanto se aproxima o prazo final, de 20 de julho.

Talvez o maior obstáculo a superar, disseram diplomatas das seis potências, é a postura do Irã sobre as centrífugas para enriquecer urânio, que um negociador descreveu como "um enorme problema".

As centrífugas são máquinas que giram a velocidades supersônicas para aumentar a taxa de isótopo físsil no urânio.

O urânio enriquecido a um nível baixo é usado como combustível em usinas de energia nuclear, o objetivo declarado do Irã, mas também pode fornecer material para bombas se for refinado ainda mais, o que o Ocidente teme que seja uma meta oculta de Teerã.

"Os iranianos ainda não demonstraram a sua vontade em reduzir as suas centrífugas a um número aceitável, o que dificulta alcançar um compromisso sobre este ponto com o qual todos nós possamos conviver", disse o negociador à Reuters.

Outra autoridade ocidental próxima às negociações confirmou o conteúdo dos comentários.

Uma autoridade iraniana também confirmou a avaliação.

"O nosso líder supremo (aiatolá Ali Khamenei) determinou uma linha vermelha para os negociadores e ela não pode mudar e deve ser respeitada", disse à Reuters. "O enriquecimento de urânio deve ser continuado e nenhuma das instalações nucleares serão fechadas."

"O que o Ocidente oferece ao Irã em relação ao número de centrífugas é como uma piada e inaceitável", continuou. "No entanto, uma negociação significa tentar superar as diferenças e é o que ambos os lados estão fazendo."

(Reportagem adicional de Fredrik Dahl e Justyna Pawlak)