Israel e militantes de Gaza acertam trégua após violência

Israel e facções militantes na Faixa de Gaza concordaram com uma trégua, mediada pelo Egito, para encerrar quatro dias de violência na fronteira, disse à Reuters na terça-feira (horário local) uma autoridade de segurança egípcia.

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

12 Março 2012 | 20h49

O funcionário afirmou que ambos os lados "concordaram em acabar com as atuais operações", incluindo a promessa incomum de Israel de "parar com assassinatos".

Nesta segunda-feira, aviões israelenses bombardearam novamente a Faixa de Gaza, e militantes palestinos lançaram mais foguetes contra Israel, no quarto dia de hostilidades, com um saldo até agora de 25 mortos.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, lamentou a situação, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu moderação. A Liga Árabe pediu à ONU que intervenha para interromper o conflito.

Fontes médicas disseram que desde sexta-feira já foram mortos 20 militantes e 5 civis na Faixa de Gaza, e que 80 pessoas, a maioria civis, ficaram feridas.

No lado israelense, houve pelo menos oito feridos.

Os bombardeios israelenses de segunda-feira mataram quatro militantes e um idoso com sua filha, segundo autoridades locais. O ataque mais recente aconteceu já ao anoitecer, matando dois militantes perto da Cidade de Gaza, segundo fontes hospitalares.

Um palestino de 15 anos morreu anteriormente em uma explosão que os palestinos atribuíram a um míssil de Israel. Os militares israelenses negaram ter cometido esse ataque.

Cerca de 40 foguetes, dos quais pelo menos 20 foram interceptados por um sistema antimísseis de Israel, foram disparados contra o Estado judeu, ferindo três pessoas, segundo a polícia. Três desses foguetes atingiram a cidade israelense de Ashkelon logo antes do último bombardeio israelense.

A Faixa de Gaza é governada pelo grupo islâmico Hamas, cujos integrantes não participam dos atuais confrontos. O grupo disse no domingo que o vizinho Egito estava empenhado em conter a violência e fazendo consultas a outros militantes.

Uma fonte oficial palestina próxima à mediação disse à Reuters que Israel havia concordado com um cessar-fogo a partir da meia-noite.

Mas a Jihad Islâmica, facção apoiada por Israel e responsável por disparar a maioria dos foguetes, disse que uma eventual trégua deveria incluir um compromisso israelense de "acabar com os assassinatos".

Os confrontos começaram depois que dois dirigentes da facção Comitês Populares de Resistência, acusados por Israel de tramarem um ataque ao seu território a partir do Sinai (Egito), foram mortos na sexta-feira por um bombardeio israelense.

Israel havia sinalizado que não abriria mão do que chama de operações "preventivas" para evitar ataques palestinos com foguetes ou com a infiltração de militantes.

"O Exército israelense vai continuar atacando os terroristas em Gaza com força e determinação", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Falando a deputados do seu partido, o direitista Likud, ele acrescentou que o Exército está preparado para ampliar as operações e mantê-las pelo tempo que for preciso.

A situação lembra o conflito de 2008-09 em Gaza, que matou 13 israelenses e cerca de 1.400 palestinos.

Mais conteúdo sobre:
ORMED ISRAEL GAZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.