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Israel encontra corpos de estudantes e, em represália, bombardeia Gaza

O Estado de S. Paulo

01 Julho 2014 | 00h 38

Força Aérea do país ataca 34 alvos do Hamas em território palestino, matando pelo menos uma pessoa

 JERUSALÉM - Israel bombardeou nesta segunda-feira 34 alvos na Faixa de Gaza em retaliação à morte de três jovens israelenses, cujos corpos foram encontrados ontem. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que o Hamas “pagará caro” pela morte dos adolescentes sequestrados no dia 12 na Cisjordânia ocupada. Pelo menos um palestino, Yusef Abu Zaga, de 16 anos, morreu.

Em resposta, vários foguetes foram disparados de Gaza contra o sul de Israel, mas sem deixar vítimas. Até o último momento, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, esteve em contato com diplomatas americanos e europeus para tentar evitar os ataques israelenses, mas, no início da madrugada desta terça-feira, estava claro que ele não havia conseguido.

Said Khatib/AFP
Israel bombardeia a Faixa de Gaza na noite desta terça-feira, 1º

“O Hamas é o responsável e o Hamas pagará caro”, afirmou o primeiro-ministro, em um comunicado. Em seguida, o Exército de Israel destruiu, com explosivos, as casas dos dois principais suspeitos do sequestro. Marwane Qawasmeh e Amer Abu Eisheh são membros do Hamas em Hebron. A decisão foi tomada após uma reunião de emergência do gabinete israelense para avaliar possíveis represálias.

Os três adolescentes, Eyal Yifrach, de 19 anos, Gilad Shaar, de 16, e Naftali Fraenkel, de 16 - que também tinha cidadania americana -, foram vistos pela última vez entrando em um carro, no dia 12 em um ponto onde pediam carona no assentamento de Gush Etzion. Seus corpos foram encontrados ao norte de Halhul, perto de Hebron.

As buscas pelos jovens converteram-se em uma obsessão nacional e as autoridades lançaram uma ampla operação. Segundo o Exército de Israel, nos últimos 18 dias, 370 militantes islâmicos foram presos, embora a Associação de Prisioneiros Palestinos afirme que esse número seja 600.

Fontes do serviço de segurança afirmaram à agência EFE que o serviço secreto israelense obteve a pista sobre a localização dos corpos após interrogar os primeiros detidos e passou a concentrar as buscas ao redor da cidade de Hebron.

A agência de segurança Shin Bet disse que os corpos estavam enterrados em um campo. Binyamin Proper, um dos civis que ajudaram a encontrar os adolescentes, disse ao Canal 2 que um dos membros da equipe de busca “viu algo suspeito no chão, sob a vegetação que parecia fora de lugar”. Depois de remover o mato e as pedras, explicou, encontrou os corpos.

Diplomacia. Uma fonte do Exército de Israel afirmou ao New York Times que, aparentemente, os três foram baleados “muito provavelmente logo depois de terem sido sequestrados”. Um veículo queimado foi encontrado em uma região próxima do local onde estavam os corpos.

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou que seu país combaterá com “mão de ferro” o terrorismo e levará à Justiça os terroristas que assassinaram os estudantes.

O movimento radical islâmico Hamas, que nega responsabilidade no sequestro, afirmou que culpará Israel por qualquer escalada de violência e advertiu Netanyahu que “as portas do inferno se abrirão para ele” caso o premiê inicie uma guerra na Faixa de Gaza, território palestino governo pelo grupo.

Na Cisjordânia, Abbas convocou uma reunião de emergência para analisar a situação. Seu grupo, o Fatah, governa esse outro território palestino, onde os corpos foram encontrados.

O Canal 2 afirmou que as autoridades da AP estavam em “intenso contato” com Washington para tentar “tranquilizar” a situação e impedir uma operação militar contra Gaza.

Umas das questões que ainda estavam abertas ontem na reunião emergencial do gabinete israelense era sobre o grau de participação dos líderes do Hamas na decisão de sequestrar os rapazes.

Na repercussão internacional do caso, o presidente Barack Obama ofereceu o apoio dos EUA para que palestinos e israelenses “trabalhem juntos” para encontrar os responsáveis pelos assassinatos. “Os EUA condenam nos termos mais fortes possíveis esse ato de terror sem sentido contra jovens inocentes.” / EFE, REUTERS e NYT

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