Israel minimiza oposição dos EUA a obras em assentamento

Estado judeu anunicou construção de mais 900 casas em região da Cisjordânia anexada a Jerusalém

Reuters,

18 Novembro 2009 | 09h36

O governo de Israel minimizou nesta quarta-feira, 18, a irritação dos EUA com a aprovação da construção de novas casas em um assentamento próximo a Jerusalém, alegando que se trata de um programa habitacional de rotina.

Buscando evitar novos atritos com Washington por causa da questão dos assentamentos, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu determinou que seus ministros demonstrem moderação, depois de a Casa Branca se dizer "consternada" com o projeto de construir 900 novas casas em Gilo, uma área da Cisjordânia ocupada que foi anexada ao município de Jerusalém.

Uma fonte oficial disse que a ordem de Netanyahu surgiu depois de um vice-ministro dizer a um site israelense que os EUA se comportavam "como um touro numa loja de louças" por se opor à construção.

Um assessor do primeiro-ministro divulgou a jornalistas uma nota qualificando as obras como "um processo rotineiro" e dizendo que Netanyahu normalmente não avalia projetos habitacionais municipais, e que Gilo é "parte integral de Jerusalém". "A construção em Gilo tem ocorrido regularmente há décadas, e não há nada de novo no atual planejamento e construção", acrescentou o assessor.

Além dos EUA, os palestinos, a União Europeia e a ONU também reagiram negativamente a divulgação do projeto de ampliação de Gilo, divulgado na terça-feira.

Nabil Abu Rdainah, assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o plano "destrói as últimas chances do processo de paz". Abbas tem condicionado a retomada do processo de paz ao congelamento da ampliação dos assentamentos.

Em entrevista a uma rádio israelense na quarta-feira, o negociador palestino, Saeb Erekat, disse que Netanyahu "tem a escolha --assentamentos ou paz". Ele acusou Israel de tentar resolver o conflito com construções em vez de negociações.

Tentando minimizar a importância do projeto, o ministro israelense da Habitação, Ariel Attias, o qualificou como um tema "técnico", e disse que as obras propriamente ditas ainda podem levar mais de um ano para começar.

Em nota divulgada na terça-feira, a Casa Branca disse que "num momento em que se trabalha para relançar as negociações, essas ações tornam mais difíceis o êxito dos esforços". A nota critica também a demolição de casas de palestinos em Jerusalém Oriental.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também criticou Israel. Segundo seu porta-voz Farhan Haq, ele "acredita que tais ações solapam os esforços para a paz e lançam dúvidas sobre a viabilidade de uma solução com dois Estados (para palestinos e israelenses)".

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